Rio
Drones iluminam o céu e relatos de milagres marcam Dia de São Jorge no Rio; veja imagens
Show de drones em Quintino e Missa da Alvorada no Centro reúnem multidões desde a madrugada; fiéis também relatam graças alcançadas
As celebrações do Dia de São Jorge começaram com forte mobilização de fiéis no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (23), reunindo multidões desde a madrugada em diferentes pontos da cidade.
No Centro, o Santuário de São Jorge e São Gonçalo Garcia, na região da Saara, recebeu grande público para a tradicional Missa da Alvorada, realizada em um palco montado na Avenida Presidente Vargas.
Na Zona Norte, a abertura do dia festivo ganhou um espetáculo tecnológico: cerca de 300 drones iluminaram o céu de Quintino por volta das 4h30, formando imagens do santo, do dragão e mensagens como “Salve, Jorge!”. A apresentação aérea encantou os devotos e antecedeu a queima de fogos e o início das celebrações religiosas, com a Rua Clarimundo de Melo completamente tomada.
Veja as imagens:
O céu de Quintino amanheceu iluminado por um show de drones em homenagem ao dia de São Jorge.
— Prefeitura do Rio (@Prefeitura_Rio) April 23, 2026
Um desses momentos pra guardar na memória pra sempre. pic.twitter.com/TiNqkMazB1
Entre os devotos presentes na primeira celebração do dia, estavam a atriz Regina Casé e Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial. O evento no Centro é um dos pontos focais da devoção ao “Santo Guerreiro” na capital fluminense, atraindo multidões desde as primeiras horas da manhã.
Milagres no dia de São Jorge

Lucas Santos, de São Paulo, disse, em entrevista à Super Rádio Tupi, que o pai descobriu um câncer e não teve como viajar com ele para esse Dia de São Jorge. No entanto, um milagre aconteceu.
“A minha história começou hoje. Eu já tenho São Jorge há muito tempo, sou corintiano, e nunca tinha vindo na festa, sempre tive vontade. Em janeiro, eu marquei de vir conhecer umas amigas aqui. Marquei de vir, ia trazer meus pais para conhecer, meu pai é muito devoto. Estava tudo certo, mas meu pai 15 dias atrás descobriu um câncer. Acabou que ele não teve como vir, porque justamente hoje saiu a vaga para ele passar no cirurgião. Isso é São Jorge”, contou emocionado.
Eurípedes, da Irmandade de São Jorge, tem doença de Crohn grave desde 2016, com dores, sangramentos e fortes restrições alimentares. Já teve complicações, perdeu parte do intestino após ficar 30 dias no CTI e foi aposentado por invalidez. Mas após muitas orações, ele teve um milagre atribuído a São Jorge.
“Pela intervenção do divino Espírito Santo e São Jorge, eu recebi uma mensagem que eu seria curado, não sentiria mais dores e ia ter uma vida que normal. Totalmente curado, estou mais forte, trabalho, vivo a minha vida quase que normal, como de tudo. Na mensagem falou: ‘Continue fazendo o seu tratamento, mas você vai ter uma vida normal e não vai sentir mais dores’. E de lá para cá, graças a Deus, nunca mais tive problema”, explicou.
Historiador explica o sincretismo entre São Jorge e Ogum
A figura de São Jorge também é cultuada em religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, sincretizado com o Orixá Ogum. O historiador, Rodrigo Rainha, contou à Super Rádio Tupi a história do patrono dos exércitos.
“No Brasil, temos mais uma história: o grande número de descendentes de Ogum. Na tradição africana, os grupos valorizavam a ancestralidade não apenas pela consanguinidade, mas pela preservação de saberes e tradições. Muitos ferreiros, associados a Ogum, eram trazidos por dominarem o trabalho com o ferro e a agricultura”, disse.
“Como não era permitido cultuar Ogum, a devoção acabou sendo associada à ideia de vencer desafios e oferecer suporte. Durante muito tempo, você só podia ser oficialmente cristão. Hoje, você tem um santo de devoção popular em várias religiões. Por isso, o dia de hoje é tão marcante”, explicou.
Rita, devota de São Jorge e Ogum, falou um pouco sobre como o santo ajudou a família em um momento de dificuldade. “É uma figura que já está na minha família há algum tempo. A gente chama de protetor da nossa família e, em todos os momentos mais difíceis, São Jorge e Ogum estiveram comigo. Então, a gente passou por um período de uma doença séria na família e, se não fosse por ele, a gente não estaria de pé.”
“Todo ano eu venho para a Alvorada e eu faço uma feijoada. A feijoada começou pequena, mas hoje eu estou esperando 40 pessoas na minha casa para a gente festejar”, contou.
Milhares de velas nas celebrações
A estrutura montada para atender os devotos projeta números expressivos para este ano. A estimativa das paróquias é de que cerca de 60 mil velas sejam acesas ao longo de toda a festividade. Além disso, a previsão é que 20 mil partículas de hóstias sejam distribuídas durante as comunhões nas diversas missas programadas.