Rio
Eleito no Rio, Douglas Ruas defende presença permanente da polícia em favelas e quer rever orçamentos
Governador eleito planeja convocação de concursados, presença contínua em comunidades e expansão de escolas cívico-militares em todo o estado
O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, colocou a segurança pública no centro de suas primeiras metas de gestão. O plano inclui a convocação de todos os concursados da área no começo do mandato e a alteração do modelo de intervenção nas favelas, com a presença contínua do poder público para encerrar as incursões pontuais.
Ruas defende que a circulação garantida sustenta a economia fluminense e viabiliza os outros serviços estaduais. “Sem segurança, as crianças não chegam à escola, as mães não conseguem chegar até uma unidade de saúde”, afirmou.
Atuação em comunidades
A nova gestão quer fixar as tropas policiais de maneira definitiva para interromper confrontos contínuos. O governador eleito descartou interferências políticas nos comandos da segurança e avaliou que o modelo das antigas UPPs cometeu falhas ao ocupar áreas com rapidez sem prender lideranças criminosas, gerando a migração de quadrilhas para outros municípios.
“No meu governo o Estado entra e não sai mais. As pessoas que moram nessas comunidades elas não aguentam conviver com operações policiais sucessivas”, declarou. A retomada de territórios vai focar em inteligência, começando pela Zona Sudoeste da capital fluminense, com proposta a ser levada ao Supremo Tribunal Federal durante a transição.
Educação, saúde e contas públicas
Na educação, a meta é ampliar a rede cívico-militar de 17 para 200 escolas em quatro anos, oferecendo formação profissional desde o primeiro ano do ensino médio, inclusive em favelas.
abertura do Hospital do Câncer e do Coração, em Nova Friburgo, nos primeiros 100 dias de governo;
implantação de polos regionais com o reaproveitamento de prédios municipais desocupados, junto às prefeituras.
Ruas também pretende renegociar a proposta orçamentária de 2027, que projeta déficit de R$ 14 bilhões. Ele defende a fixação de um teto de despesas atrelado à receita, criticando despesas de dois poderes que subiram acima do avanço de 21% da arrecadação estadual nos últimos cinco anos. O secretariado terá perfil técnico e será definido após a homologação das eleições pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Trajetória política
Aos 37 anos, Douglas Ruas (PL) é policial civil de carreira, advogado e preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nascido em São Gonçalo, exerceu os cargos de subsecretário de Trabalho e secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais no município, além de atuar como superintendente regional do Inea.
Eleito deputado estadual em 2022 com 175.977 votos, comandou a Secretaria Estadual das Cidades até março de 2026. A vitória no primeiro turno ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), elevando o índice de Ruas para 50,88% dos votos válidos. O grupo de Eduardo Paes (PSD) informou que pretende questionar o cálculo no Supremo Tribunal Federal.