Rio
Estado do Rio fica fora das 200 cidades com melhor qualidade de vida do Brasil
Desigualdade social, violência e falta de integração urbana ajudam a explicar desempenho ruim dos municípios fluminenses, segundo especialista
O estado do Rio de Janeiro não tem nenhuma cidade entre as 200 com melhor qualidade de vida do Brasil. É o que revela um levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que avaliou municípios de todo o país com base em indicadores sociais e ambientais.
A cidade fluminense mais bem posicionada no ranking é Resende, no Sul Fluminense, que aparece apenas na 249ª colocação. A capital, Rio de Janeiro, surge cerca de 90 posições depois. Também figuram entre os municípios mais bem colocados do estado Nova Friburgo, Teresópolis e Niterói.
Para o professor de Sociologia e cientista social da UFRJ, Henrique Ramos, a principal explicação para o baixo desempenho das cidades fluminenses está na desigualdade social.
“A gente tá nesse cenário muito por conta da desigualdade social. E eu explico: a desigualdade social é um problema que tem como consequência outros problemas que acabam servindo ali enquanto indicadores sociais de qualidade de vida. Sociedades mais desiguais são sociedades mais violentas. Sociedades mais violentas geram um senso de insegurança maior e isso afeta na qualidade de vida coletiva”, afirma.
Investimento em educação e emprego como caminho
Segundo Henrique Ramos, experiências bem-sucedidas em outras localidades mostram que a redução das desigualdades passa por políticas públicas estruturantes.
“E o fato é que sociedades que conseguiram superar, minimamente, a questão da desigualdade tiveram como medidas primordiais investimento em educação, geração de emprego por meio da indústria e maior integração urbana. Isso é muito fundamental. Acho que com esse tripé de investimento e busca, sem dúvida alguma, a gente consegue ter algum tipo de avanço”, destaca.
Critérios analisados
O levantamento utilizou 57 indicadores sociais e ambientais, reunindo dados públicos de instituições como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas. Entre os critérios avaliados estão saneamento básico, condições de moradia, segurança pessoal, acesso à educação e qualidade ambiental.
Na outra ponta do ranking estadual, São Francisco de Itabapoana aparece como o município fluminense com pior colocação no estudo.
Já no cenário nacional, pelo terceiro ano consecutivo, Caborão Peixoto, no interior de São Paulo, lidera a lista das cidades com melhor qualidade de vida do país. A última posição ficou com Uiramutã, em Roraima.