Meio ambiente
Estudo da UFF revela 40 anos de degradação no litoral do Rio
A reportagem da Super Rádio Tupi ouviu um especialista que explicou a metodologia utilizada no estudo
Um projeto inédito da Universidade Federal Fluminense trouxe um alerta importante sobre o avanço da degradação ambiental no litoral do estado do Rio de Janeiro. O levantamento analisou cerca de 22 mil quilômetros quadrados da zona costeira fluminense, com base em imagens que vão de 1984 a 2024. O estudo faz parte do Inventário da Degradação do Solo na região.
Fábio Ferreira, professor no departamento de Análise Geoambiental da UFF e orientador da pesquisa explica a nova metodologia utilizada no estudo.
“Bom, nós utilizamos uma metodologia da ONU, o modelo APIRAC, que foi calibrado pela primeira vez para o sistema ocidental e aplicado ao nosso litoral. Na prática, dividimos o território em dois grandes cenários: o primeiro de diárias estáveis e o segundo de diárias instáveis”.
Utilizando tecnologias como sensoriamento remoto, imagens de satélite e sistemas de informação geográfica, os pesquisadores conseguiram acompanhar, ao longo de 40 anos, as mudanças nas paisagens e identificar áreas onde o solo apresenta sinais de degradação.
A análise abrange diferentes regiões do estado, incluindo municípios como Armação dos Búzios, São Francisco de Itabapoana e Cachoeiras de Macacu, além da chamada Costa Verde, que reúne cidades como Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty, e também Maricá.
O professor Fábio Ferreira comenta como foram definidas as áreas de estudo:
“Para identificar as áreas que demandam intervenção imediata, nossa equipe analisou 14 variáveis ambientais, atribuindo notas de 1 a 3 conforme o grau de gravidade de cada terreno. O estudo tem como objetivo não apenas mapear os impactos ambientais, mas também propor estratégias de gestão capazes de conter o avanço da degradação e preservar áreas sensíveis do litoral”.
Na região entre Maricá e Búzios, o avanço da degradação foi relacionado à expansão agrícola e ao crescimento urbano acelerado. Já na Costa Verde, incluindo Angra dos Reis e Paraty, os pesquisadores observaram erosão próximas a áreas urbanas e instabilidade do solo impulsionadas pelo turismo e pela abertura de estradas.
O levantamento mostra que a urbanização da Costa Verde cresceu mais de 200 por cento ao longo dos 40 anos analisados.