Rio
“Gostava da vida”, familiares e amigos se despedem de professora morta durante tiroteio na Baixada
Colegas de trabalho, alunos e ex-alunos participaram da despedida e prestaram as últimas homenagens à professora
Familiares e amigos se despediram da professora Silvânia da Silva Guimarães, de 50 anos, morta após ser baleada na última terça-feira (6), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O velório aconteceu na manhã desta quinta-feira (8), no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita.
Colegas de trabalho, alunos e ex-alunos participaram da despedida e prestaram as últimas homenagens à professora.
O crime
A professora foi morta após ter o carro roubado por dois criminosos em uma motocicleta, em Duque de Caxias. Durante a ação, ela foi feita refém.
Na altura da Avenida Brigadeiro Lima e Silva, no bairro 25 de Agosto, o criminoso que conduzia o veículo roubado atirou contra agentes do Programa Segurança Presente, que reagiram. Silvânia acabou sendo atingida por um disparo, foi socorrida para uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos.
O assaltante que dirigia o carro morreu no confronto. O comparsa, que estava na motocicleta, conseguiu fugir. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).
Quem era Silvânia
Apaixonada pela profissão, paciente em sala de aula e sempre dedicada aos alunos. Assim era descrita Silvânia da Silva Guimarães por quem convivia com ela. Atuando há anos na rede pública de ensino, a professora era reconhecida pelo compromisso com a educação e pela forma acolhedora com que conduzia o trabalho pedagógico.
No Ciep Nelson Cardoso, onde lecionava, construiu uma relação próxima com a comunidade escolar. Alunos e ex-alunos a descrevem como uma mulher alegre, batalhadora e otimista, conhecida pelo bom humor e pela disposição em ajudar, dentro e fora da sala de aula. Para muitos, era uma referência não apenas profissional, mas também humana.
Amigo de infância da vítima, o vendedor André Loureiro relembrou a personalidade marcante da professora.
“Silvania era uma pessoa alegre, era uma pessoa que na turma era bastante destacada, que gostava da vida, aonde ela passava ela marcava.”
A notícia da morte causou choque e revolta. André também criticou o cenário de violência no estado.
“Ah, eu recebi essa notícia como, vou dizer assim, a roleta russa do Rio de Janeiro. Infelizmente você tem um impacto até a hora que acontece com você. Infelizmente a gente vive numa situação hoje em que isso tem que acabar. O poder público precisa intervir de uma maneira mais eficaz. Foi esse o choque, não só como cidadão, mas também uma pessoa que eu vi humilde, que cresceu, que teve uma vida digna, morrer brutalmente desse jeito, é impacto terrível.”
Mãe de um filho adolescente, Silvânia conciliava a rotina intensa de trabalho com a vida familiar. Nas redes sociais, amigos, alunos e ex-alunos ressaltaram o amor pela vida, a dedicação à educação e a marca deixada por ela em diferentes gerações.


