Rio
Hospital de Nova Iguaçu alerta para explosão de acidentes com motos em 2026
Aumento do uso de motocicletas por aplicativos eleva número de feridos, sobrecarrega hospitais e preocupa autoridades de saúde no estado do Rio.
O uso crescente de motos para deslocamento através de aplicativos de transporte tem se refletido em mais acidentes no Estado, com o Hospital Geral de Nova Iguaçu fazendo um alerta para o alto número de pacientes vítimas de acidentes de moto.
Apenas nos dois primeiros meses do ano, a unidade já atendeu mais de 1.100 vítimas, uma média de 19 por dia e quase um caso por hora, com o mais alarmante sendo que esse número já supera o total registrado no mesmo período de 2024 e 2025 juntos, uma vez que somados, o número não chega a 1.100 vítimas.
O coordenador médico da emergência do Hospital Geral de Nova Iguaçu, Kleber Santos, ressaltou quais são os principais fatores que explicam esse rápido crescimento no número de vítimas em 2026.
“A gente tem observado esse aumento concomitante com o número de aumento de motos circulando nas vias urbanas, principalmente com o aumento expressivo dos aplicativos de entrega e de transporte de pessoas.” – disse o coordenador, alegando que nos últimos tempos muitos têm chegado ao hospital, na maioria das vezes devido a imprudência no trânsito, no não uso dos equipamentos de proteção e no abuso de bebidas alcoólicas.
O médico também explicou como esses acidentes afetam a unidade, que tem impacto direto no hospital, visto que esses pacientes demandam muitos recursos.
“Equipes especializadas, muitas vezes internações e internações muitas vezes prolongadas, com procedimentos cirúrgicos associados. Isso acaba aumentando a taxa de ocupação dos leitos, exigindo ainda mais as estruturas das equipes, principalmente do centro de trauma, enfermarias e até CTIs.” – explicou Santos.
Dados de janeiro a agosto do ano passado da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, mostram que os hospitais de urgência e emergência da rede atenderam mais de 20.700 vítimas de acidentes com moto, uma média de 80 casos por dia somente nas unidades da Prefeitura, um aumento de 60% em relação ao mesmo período de 2024.
Para a Prefeitura do Rio, os principais problemas observados pelos profissionais da saúde são a falta do uso de capacete e alta velocidade e o uso do celular.
No município do Rio, a Comissão Permanente de Segurança Viária, formada pela Secretaria Municipal de Saúde e mais dez órgãos, é responsável por implementar o Plano de Segurança Viária da cidade.
O objetivo é reduzir as mortes no trânsito em 50% e as internações hospitalares de motociclistas em 30% até o ano de 2030, acompanhando os objetivos propostos pela Organização Mundial da Saúde.