Carnaval
Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso com enredo “Camaleônico” no Carnaval 2026
Desfile assinado por Leandro Vieira aposta na transgressão, na liberdade do corpo e na estética híbrida do artista
A Imperatriz Leopoldinense escolheu Ney Matogrosso como homenageado do Carnaval 2026. Com o enredo “Camaleônico”, a escola de Ramos propõe um desfile que destaca a liberdade artística, a transgressão e a constante transformação que marcam a trajetória do cantor.
A narrativa apresentada na avenida parte da ideia de um Ney que não aceita definições fixas. A escola aposta em uma estética híbrida, que mistura elementos humanos e animais, masculino e feminino, para traduzir um artista que sempre fez do corpo e da performance um ato político. Máscaras, plumas, tintas e gestos intensos ajudam a construir um espetáculo marcado pela ousadia e pela quebra de padrões.
A música tem papel central no desfile, funcionando como memória viva da obra de Ney Matogrosso. Em meio à festa, a Imperatriz promete uma celebração sem medo, exaltando a sensualidade, o prazer e a potência da liberdade de ser e existir.
Responsável pelo carnaval da escola pelo quarto ano consecutivo, Leandro Vieira explica que sua criação não se apoia em uma narrativa biográfica tradicional. Segundo ele
“Quase nunca o que me interessa é a biografia dessas pessoas, né? Embora a gente saiba que são biografias exemplares, mas o que interessa para a construção do material artístico mesmo que eu vou apresentar é o universo artístico dessas pessoas”.
O carnavalesco destaca que Ney Matogrosso transformou o próprio corpo em instrumento de expressão política.
“Desde que surgiu no cenário artístico brasileiro, ele fez do seu corpo um território altamente político”, afirma.
Para Leandro, o desfile se concentra nas transgressões musicais, estéticas e comportamentais que atravessam toda a carreira do artista.
O título do enredo reforça essa ideia de mutação constante. “O ‘Camaleônico’ tem a ver com esse artista que declarou publicamente dezenas de vezes que não queria ser compreendido como um só”, explica Leandro. Ele também ressalta a relação de Ney com o imaginário animal e o hibridismo:
“Ele queria ser visto como homem, como mulher, como bicho, e também não ser visto como nenhum deles”.
Fundada em 1959, a Imperatriz Leopoldinense soma nove títulos no Grupo Especial. A escola será a segunda a desfilar na primeira noite de apresentações, no domingo, 15 de fevereiro. A última conquista foi em 2023, também com um enredo assinado por Leandro Vieira.