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Incêndio no Shopping Tijuca polícia aponta falhas graves e indicia cinco pessoas

Investigação conclui que tragédia não foi acidental e revela sucessão de erros, atraso no acionamento dos bombeiros e falhas na evacuação
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Incêndio em shopping da Tijuca deixa dois mortos e três feridos. Foto: Reprodução

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o incêndio no Shopping Tijuca e indiciou cinco pessoas por envolvimento na tragédia ocorrida no dia 2 de janeiro. Dois funcionários do centro comercial vão responder por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual. Uma terceira investigada foi indiciada pelos mesmos crimes, com exceção da fraude processual. Outros dois funcionários da loja Bel Hart também foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Maíra Rodriguez, a investigação descartou a hipótese de acidente.

“O que se concluiu é que o incêndio no Shopping Tijuca não foi um caso fortuito. O que aconteceu foi uma sucessão de falhas e omissões imputáveis tanto aos gestores da loja Bel Hart, quanto aos administradores do Shopping Tijuca, que culminaram na tragédia do dia 2 de janeiro.”

A delegada detalhou a linha do tempo levantada no inquérito.

“Foi constatado o foco inicial de incêndio com acionamento do botão do pânico às 18:04. E aí começa toda uma mobilização para combater esse incêndio. Tem toda uma linha do tempo… 18:12, 18:15 a ordem de evacuação… que segundo o que foi apurado, o contato e o acionamento do Corpo de Bombeiros, que é uma informação importante no inquérito, foi somente às 18:27.”

Ao todo, 38 pessoas foram ouvidas durante a investigação. Depoimentos e laudos técnicos apontaram problemas na comunicação após o início do fogo, ausência de alarmes eficazes, evacuação desordenada, treinamento insuficiente e atraso na transmissão de informações precisas. O laudo também concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em um ambiente considerado tecnicamente inadequado, com agravantes estruturais e falhas de segurança.

Segundo testemunhas, o fogo começou no sistema de ar-condicionado da loja Bel Hart, localizada no subsolo do centro comercial. Parte das lojas foi reaberta no dia 16 de janeiro, duas semanas após o incêndio. No entanto, o subsolo e parte do primeiro piso seguem interditados pela Defesa Civil.

Em nota, a administração do Shopping Tijuca afirmou que agiu dentro dos protocolos previstos na legislação e que notificou imediatamente a loja para adoção de providências. O centro comercial também destacou que a evacuação seguiu plano elaborado por empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, garantindo a saída de cerca de 7 mil pessoas sem ferimentos. A administração reiterou ainda que permanece à disposição da Justiça para colaborar com as investigações.