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Eleições

Jovens de 21 a 24 anos lideram abstenção com voto obrigatório no RJ

Mais de 2,9 milhões não votaram; faltosos podem comparecer no segundo turno

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Imagem de uma urna eletrônica
Urna eletrônica. Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil

O Rio de Janeiro registrou a segunda maior taxa de abstenção do país no primeiro turno das eleições, com 23,32% de ausência, atrás somente de Mato Grosso do Sul, que teve 23,87%. Ao todo, 2.997.846 eleitores fluminenses deixaram de comparecer às urnas, número acima da média nacional de 21,08%.

Entre as faixas etárias com participação obrigatória, os jovens de 21 a 24 anos foram os que mais se ausentaram, com índice de 23,42%, segundo levantamento do RJ2 feito com base em números da Justiça Eleitoral. Já o menor índice de faltas ocorreu entre quem tem 18 anos, grupo em que a taxa foi de 10,68%.

Onde a abstenção foi mais alta no estado?

Três municípios fluminenses lideraram a proporção de faltosos: Mangaratiba, na Costa Verde, com 26,71%, seguida por Valença, com 26,22%, e a cidade do Rio, com 26,12%. Na capital fluminense, 1.293.714 votantes não foram às urnas, o que representa mais de 25% de todo o eleitorado local.

Dentro da capital, o Centro reuniu cinco dos dez locais com menor presença de votantes. O caso mais expressivo foi o Colégio Pedro II, com 46% de ausências. O restante da lista concentrou três endereços em Copacabana, na Zona Sul, e dois no bairro de Inhaúma, na Zona Norte.

As cidades com maior índice de faltas no estado foram:

  • Mangaratiba: 26,71%
  • Valença: 26,22%
  • Rio de Janeiro: 26,12%
  • São Francisco de Itabapoana: 25,94%
  • Petrópolis: 24,17%

Como a idade influencia o comparecimento?

Nas faixas de voto facultativo, a falta cresce na medida em que a idade avança. O índice ficou em 34,4% entre idosos de 70 a 74 anos e subiu para 52,7% no grupo de 75 a 79 anos. Já a média de ausência alcançou 74% entre 80 e 89 anos e atingiu 94,9% entre 90 e 99 anos.

A professora de Ciência Política da UFRJ Mayra Goulart destacou ao g1 que a pirâmide populacional deve ser considerada. Segundo a pesquisadora, a capital fluminense tem perfil envelhecido e “os mais novos e os mais velhos podem ter índices de abstenção maior”, principalmente onde o voto não é compulsório.

Por que os eleitores deixaram de votar?

Foto: @anapaulalima.rj Via Instagram

A cientista política afirma que os dados de ausência não podem ser vistos apenas como apatia da população. Mayra pondera que o número decorre de causas diversas, “não só o eleitor pouco mobilizado”, mas envolve também informações eleitorais desatualizadas no sistema da Justiça Eleitoral.

Outro ponto levantado pela especialista são as barreiras de mobilidade urbana enfrentadas no dia da eleição. Mayra ressalta que muitos votantes sofrem com deslocamentos longos ou apresentam restrições motoras para acessar os prédios de votação.

Os dados históricos mostram que o segundo turno no Rio de Janeiro quase sempre atrai menos eleitores do que a primeira fase. De 2002 a 2018, as ausências cresceram a cada votação, partindo de 16,95% e passando por 17,35% em 2006, 21,03% em 2010 e 22,36% em 2014, até atingir 24,06%. A única exceção na sequência foi 2022, quando o número caiu para 22,25%.

Quem faltou no primeiro turno pode votar no segundo?

O cidadão que deixou de votar na etapa inicial pode comparecer normalmente à cabine de votação no domingo (25), desde que seu título não esteja bloqueado ou cancelado. A apresentação da justificativa da primeira rodada não é exigida de imediato e pode ser enviada até 3 de dezembro.

O presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, orientou os eleitores a checarem previamente a seção designada. Tavares pediu atenção para “verifique se o seu local de votação modificou” antes do deslocamento, consulta disponível tanto no portal eletrônico do tribunal quanto no aplicativo e-Título.

Para quem se enquadra nas regras do voto compulsório, deixar de comparecer a três turnos seguidos sem justificar nem pagar as taxas legais provoca o cancelamento do documento. A penalidade não atinge eleitores com voto facultativo.