Rio
Julgamento Henry Borel: Psiquiatra aponta psicopatia em Jairinho e culpa Monique
Testemunha técnica detalha aspectos psicológicos de Jairinho e omissão de Monique no júri
O terceiro dia do julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho, realizado no Tribunal do Júri do Rio, contou com o depoimento do psiquiatra assistente da acusação nesta terça-feira (27). O médico, contratado por Leniel Borel, pai da vítima, analisou o comportamento do ex-casal e os impactos psicológicos do luto após a perda de um filho.
Psiquiatra aponta falha de Monique em proteger Henry
Segundo o especialista, a mãe de Henry Borel não demonstrou o instinto necessário para resguardar a criança, ignorando indícios claros de violência. Ele ressaltou que, ao contrário de outras ex-companheiras do réu que afastaram seus filhos após episódios agressivos, Monique optou por manter o relacionamento.
O depoente mencionou que o menino já expressava incômodo no início da relação, queixando-se de “abraços muito fortes” dados pelo padrasto. Além disso, relembrou que a babá da criança chegou a alertar a mãe sobre os episódios de violência que ocorriam na residência.
Ao avaliar o ex-vereador, o psiquiatra indicou a presença de traços narcisistas e manipuladores. Ele citou como exemplo o fato de Jairinho ter articulado um noivado com uma amante enquanto ainda vivia o casamento com Monique. O especialista também detalhou o conceito de psicopatia, observando que indivíduos com esse perfil raramente reconhecem seus desvios de conduta.

A análise técnica também sugeriu que o réu sentiria satisfação em causar sofrimento a crianças. “Identifiquei traços de prazer em infligir dor”, afirmou o médico aos jurados, embora tenha ponderado que tal percepção possui um componente subjetivo dentro da avaliação do processo.
O profissional rebateu a tese da defesa de que Monique seria vítima de misoginia ou preconceito de gênero, afirmando não enxergar esses elementos no caso. Para ele, as evidências colhidas no processo não sustentam a ideia de que a ré agia sob esse tipo de opressão.
Antes da fala do médico, a sessão foi interrompida momentaneamente devido a um incidente técnico no plenário. O julgamento precisou ser suspenso por alguns minutos após a bancada usada pelos advogados de defesa de Jairinho cair durante os trabalhos.