Mais da metade do litoral fluminense está em risco devido às mudanças climáticas - Super Rádio Tupi
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Mais da metade do litoral fluminense está em risco devido às mudanças climáticas

Pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense

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Foto: Reprodução

Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) apontou que aproximadamente 60% da costa do estado do Rio, apresenta níveis intermediários ou altos de vulnerabilidade às mudanças climáticas, o que aumenta o risco de erosão e inundações.

A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.

A zona costeira do estado, que tem cerca de 1.160 quilômetros de extensão, sofre forte pressão da urbanização desordenada, do turismo de massa e da expansão de infraestruturas logísticas, fatores que aceleram a degradação ambiental e reduzem a capacidade natural de proteção da linha de costa.

A pesquisa considerou fatores socioeconômicos na análise e constatou que o Rio tem sua economia fortemente vinculada ao mar, com atividades como pesca e exploração de petróleo. Nesse contexto, a supressão da Mata Atlântica, bioma que já perdeu mais de 80% de sua cobertura original, compromete a resiliência ambiental e amplia a exposição a eventos extremos. Os cenários mais críticos concentram-se no Norte Fluminense e na Região dos Lagos.

A reportagem da Super Rádio Tupi conversou com Igor Rodrigues, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas dos Oceanos e da Terra da UFF, que explicou como as mudanças climáticas podem afetar a costa do estado do Rio:

“A primeira coisa que a gente tem que pensar é, não é causado por um único fator, mas por um conjunto de fatores tanto naturais quanto humanos. Então vamos pensar, do ponto de vista natural, esses eventos como ondas mais intensas, correntes marítimas mais fortes, além das ressacas, é claro, elas exercem uma influência muito intensa e forte na linha de costa.

Só que a gente tem que pensar o seguinte, também a posição da linha de costa também influencia. Então alguns lugares são mais protegidos que outros. Se a gente pensar em cidades dentro de regiões de Baía, como o Baía de Sepetiba, Baía de Ilha Grande, Baía de Guanabara, os pontos de erosão costeira são menores porque são áreas mais protegidas.

Então esse é um dos fatores. Quando a gente fala de efeitos que causam essa vulnerabilidade, a gente inevitavelmente tem que falar da linha de costa, dos habitats, da intensidade do vento e das ondas, do posicionamento dessa cidade em relação à distância da linha de costa, a população que está exposta a essa vulnerabilidade, o relevo dessa região. Então são inúmeros fatores que estão associados a essa proteção ou vulnerabilidade”, explicou Igor.

Além disso, a redução da faixa de areia, aliada à construção de casas e calçadões muito próximos ao mar, diminuiu a capacidade natural da costa de absorver a energia das ondas.