Jornalismo

Mestre-sala denuncia racismo e dificuldade para boletim de ocorrência: ‘Pra quê isso?’

"A escrivã se negou a registrar como injúria racial, apenas como injúria. Eu posso falar que fui injuriado, mas não posso falar que fui injuriado racialmente?", questiona o profissional do Carnaval

Por Pedro Henrique Leite

Mestre-sala Diego Machado é vítima de racismo. Foto: Reprodução Facebook

O mestre-sala Diego Machado denunciou uma agressão racista após uma discussão de trânsito na Estrada dos Bandeirantes, Zona Oeste, nesta quarta-feira. De acordo com o sambista, tudo aconteceu após pedir desculpas por ter dado uma “fechada” em um outro motorista:

“O cara abaixou o vidro e disse que só podia ser coisa de ‘preto’, e passou o dedo na pele. Eu fui desmoralizado pela minha cor”, contou o mestre-sala, que afirmou ter seguido o condutor até encontrar uma viatura da Polícia Militar que os encaminharam à 42ª DP (Recreio).

“Quando cheguei na delegacia achei que fosse ser feito Justiça porque racismo é crime. A escrivã da Policia Civil se negou a registrar o boletim de ocorrência de injúria racial pois não tinha testemunha. Somente aceitou registrar o de injúria normal. Eu posso falar que fui injuriado, mas não posso falar que fui injuriado racialmente? Eu fui impedido de ter voz, de prosseguir com a acusação que de fato existiu. A todo momento ela falava para eu deixar isso pra lá que não daria em nada”, contou Diego Machado. “Infelizmente mais uma vez o negro viu seu direito cerceado, sua voz calada e sua moral denegrida”, desabafou.

Diego afirmou que um motoqueiro presenciou a cena, e que espera pela ajuda dessa testemunha para levar o caso à frente. O profissional do Carnaval publicou o caso nas redes sociais:

“O ofensor? Ahhhhh, esse saiu rindo porque nada acontecerá com ele…. MAIS UMA VEZ!!!! Eu quero mostrar a minha voz, quero mostrar que não podem me calar. Vão ter que me respeitar!!!! Hoje eu ainda agradeço porque minha esposa e filhas não estavam comigo nesse momento de atrocidade. E por isso eu estarei lutando para que as pessoas respeitem a minha cor, para que eu não venha sofrer esse tipo de humilhação na frente delas”.

Diego Machado tem recebido apoio de sambistas na internet. O profissional teve passagens por grandes agremiações do Carnaval do Rio de Janeiro, como Império Serrano, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Cubango e Unidos do Viradouro.

O jornalismo da Tupi fez contato com a Polícia Civil sobre a conduta da agente e do questionamento feito pelo mestre-sala, mas ainda não obteve retorno.

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