Rio
Movimento Red Pill cresce nas redes e preocupa especialistas
Conteúdos sobre masculinidade e relacionamentos ganham força entre jovens, e pesquisadores alertam para riscos de radicalização, misoginia e impacto na formação emocional.
Nos últimos anos, um termo vem ganhando espaço na internet, se fazendo presente em debates sociais e políticos, ganhando cada vez mais adeptos: o chamado movimento Red Pill.
A expressão vem do filme Matrix, em que o personagem precisa escolher entre tomar uma pílula azul, que no contexto do filme mantém o personagem em uma ilusão sobre a realidade, ou a pílula vermelha, que revelaria a verdade.
Dentro da internet, o termo passou a ser usado por grupos que afirmam que os homens precisam despertar para uma suposta realidade sobre relacionamentos, poder e papéis de gênero.
O crescimento deste tipo de conteúdo está diretamente ligado às redes sociais e aos algoritmos de recomendação.
Pesquisas recentes apontam que os jovens, principalmente da chamada geração Z, nascida entre 1995 e 2010, são frequentemente expostos a vídeos e conteúdos deste universo após consumir materiais semelhantes nas plataformas digitais.
A Super Rádio Tupi falou com a psiquiatra Anne Caroline Santana, que explicou a influência desse movimento, principalmente na adolescência, momento em que as pessoas mais buscam uma sensação de pertencimento.
“É um momento ali de formação de identidade. Quando esses conteúdos, como os do Red Pill, chegam ali de uma forma sedutora, com memes, humor, desmascarando verdades escondidas bem entre aspas, eles acabam oferecendo respostas muito simples para as frustrações que muitos desses adolescentes vivem, especialmente em relação a relacionamentos e a rejeição.” – explicou Anne, que ressaltou que o problema está no fato de que muitas dessas comunidades acabam transformando essas frustrações em ressentimento contra as mulheres.
Isso leva o jovem, ao invés de um maior entendimento emocional, onde ele aprende a lidar com a rejeição e desenvolver maturidade afetiva, ao reforço constante da ideia de que existe uma guerra entre homens e mulheres.
Nesses espaços virtuais, circulam conteúdos sobre masculinidade e relacionamentos, mas também discursos considerados problemáticos por especialistas, como ideias anti feministas e de superioridade masculina.
“Acho que o perigo aqui está em diferentes camadas. No dia a dia, a gente pode falar no assédio virtual e presencial, com comentários que desqualificam, ameaças veladas, discursos misóginos. Isso, por si só, já é violência e produz vítimas. No nível mais grave, tem muitos casos de violência doméstica praticada por homens.” – reforça Anne Santana, explicando os perigos deste conteúdo. “Bom
Para pesquisadores, o desafio agora é compreender melhor esse fenômeno, incentivar a educação digital e promover discussões que evitem a radicalização de jovens nas redes.
No Brasil, estudos mostram que o fenômeno tem avançado rapidamente, com um levantamento da Fundação Getúlio Vargas tendo identificado 85 comunidades misóginas em redes sociais.
Somadas, elas contam com cerca de 225 mil participantes e um volume de conteúdo que cresceu cerca de 600 vezes desde 2019.