Rio
MP-RJ denuncia Marcelo Crivella e mais 10 por improbidade administrativa
Ex-prefeito do Rio e grupo são acusados de fraudar licitação do Previ-Rio e desviar recursos públicos; defesa nega irregularidades
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e outras dez pessoas por improbidade administrativa. segundo informações, o esquema de corrupção teria movimentado cerca de R$ 32 milhões em propinas no município.
As investigações apontam a existência de um esquema estruturado de fraude em licitações durante a gestão de Crivella, com uso de empresas de fachada, emissão de notas fiscais frias e contratos simulados para desviar recursos públicos. O órgão afirma que a organização atuava de forma planejada e coordenada para beneficiar interesses privados.
A ação é um desdobramento do caso conhecido como “QG da Propina” e foi protocolada em dezembro de 2025, mas ainda aguarda análise da Justiça fluminense.
Contrato milionário
O principal foco da denúncia é um contrato de R$ 789 milhões firmado entre o Previ-Rio ( Instituto de Previdência e Assistência do Município do Rio de Janeiro) e o grupo Assim Saúde.
De acordo com o MP-RJ, a licitação teria sido direcionada ilegalmente, com edital elaborado parajJor medida para favorecer a empresa vencedora. Os promotores sustentam que foi ajustado o pagamento de propina equivalente a cerca de 3% do valor dos contratos, o que teria gerado repasses mensais de aproximadamente R$ 2 milhões e totalizado R$ 32 milhões em vantagens indevidas.
Empresas de fachada e contratos simulados
A denúncia afirma que, após vencer a licitação, o grupo contratado teria firmado acordos com empresas de fachada indicadas pelos integrantes do esquema, para justificar repasses por serviços que, segundo o MP, não foram efetivamente prestados. As notas fiscais falsas teriam sido usadas para mascarar os pagamentos ilícitos.
O MP-RJ também aponta que Crivella teria conhecimento das irregularidades e exercido controle sobre os atos investigados, em conjunto com o empresário Rafael Alves, apontado como figura influente na gestão municipal, apesar de não ocupar cargo oficial.
Posicionamento da defesa
Na ação, o MP-RJ pede a devolução integral dos R$ 32 milhões aos cofres públicos, aplicação de multas e suspensão dos direitos políticos dos acusados por até 14 anos.
Por meio de nota, Crivella negou as acusações e afirmou que a contratação investigada ocorreu de forma legal e com aval de órgãos de controle. A Justiça ainda não analisou o mérito da ação.