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Operação mira lavagem de R$ 116 milhões do Comando Vermelho em quatro estados

Grupo suspeito lavou mais de R$ 116 milhões para o Comando Vermelho por meio de contas de laranjas e depósitos fracionados

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma ofensiva contra o braço financeiro do Comando Vermelho foi deflagrada nesta terça-feira (2) para desarticular um esquema interestadual de lavagem de dinheiro. A Operação Riqueza Sombria identificou que a organização criminosa movimentou mais de R$ 116 milhões em um intervalo de quatro anos.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, aponta que o grupo atuava de forma coordenada em quatro estados brasileiros. Até o momento, os agentes confirmaram a prisão de dois envolvidos e a apreensão de uma arma, além de celulares e diversos aparelhos eletrônicos.

O caso teve origem em julho de 2020, após uma incursão policial na Comunidade do Tatão, em Anchieta. Naquela ocasião, a apreensão de comprovantes bancários junto a cargas de entorpecentes permitiu que o setor de inteligência rastreasse o fluxo financeiro ilícito da facção.

Esquema usava depósitos fracionados para ocultar verba

  • Técnica de fracionamento: O bando utilizava o smurfing, que consiste em realizar diversos depósitos de pequenos valores para não despertar o alerta das autoridades. As transações ocorriam em agências próximas a redutos da facção, como o Complexo do Chapadão.
  • Empresas e pessoas de fachada: O faturamento do tráfico era pulverizado em contas de “laranjas” para dificultar o rastreamento. Os relatórios financeiros mostraram que os investigados movimentavam valores incompatíveis com suas rendas declaradas, com saltos de receita expressivos a partir de 2019.
  • Conexão transnacional: O município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, concentrava os principais beneficiários do esquema. A cidade é considerada estratégica pelos investigadores por estar localizada exatamente na fronteira com o Paraguai, facilitando a logística do crime.

As buscas ocorrem simultaneamente no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em solo fluminense, os mandados são cumpridos em Cabo Frio e no bairro do Jacaré, enquanto no interior paulista e mineiro as ações focam nas cidades de Ribeirão Preto, Orlândia e Formiga.

A mobilização conta com o suporte da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e dos Gaecos fluminense e sul-mato-grossense. O objetivo central desta fase é aprofundar a análise do patrimônio dos alvos para paralisar as atividades financeiras da rede criminosa.