Parque Estadual da Pedra Branca tem um dos maiores paus-brasil do Rio - Super Rádio Tupi
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Parque Estadual da Pedra Branca tem um dos maiores paus-brasil do Rio

Espécie foi localizada no Núcleo Piraquara da unidade de conservação, em Realengo

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Foto: Fabiano Veneza

Um dos maiores exemplares de pau-brasil (Paubrasilia echinata (Lam.) Gagnon, H.C.Lima & G.P.Lewis – Fabaceae) já identificados na Cidade do Rio de Janeiro habita o Parque Estadual da Pedra Branca, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e situada em uma densa área urbana: o parque abrange parte de 17 bairros das zonas oeste e sudoeste do Rio de Janeiro.

Com 16 metros de altura – o equivalente a um prédio de cinco andares, a espécie foi identificada pelo coordenador de voluntariado da Trilha Transcarioca, o pesquisador Diego Monsores durante uma atividade de monitoramento, no início de maio, no núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, em Realengo.

A presença de um exemplar centenário de pau-brasil associado a uma linhagem endêmica e rara evidencia a importância estratégica do Parque Estadual da Pedra Branca para a conservação da biodiversidade e do patrimônio genético da Mata Atlântica. Essas descobertas mostram que fragmentos florestais urbanos podem desempenhar papel decisivo na manutenção de espécies ameaçadas e reforçam a necessidade de ampliar ações de pesquisa, monitoramento e conservação nessas áreas protegidas — destacou a diretora de Biodiversidade, Ecossistemas e Áreas Protegidas do Inea, Julia Bochner.

A árvore apresenta uma circunferência de 2,35 metros: para abraçar o seu tronco são necessárias três pessoas adultas de mãos dadas. Parceira do Inea, a Trilha Transcarioca promove o projeto Pró Espécies, que atua no mapeamento de comunidade de plantas ameaçadas de extinção presente nas matas do corredor florestal da trilha que possui mais de 184 quilômetros, sendo considerada a primeira trilha de longo curso do país.

A árvore, que pode ter mais de 200 anos, foi localizada por meio dos monitoramentos aéreos realizados com drones, ao longo dos trechos da trilha. Segundo Monsores, a tecnologia tem sido uma grande aliada da conservação ambiental.

  • Utilizamos desde câmeras trap para monitoramento de fauna a drones que realizam o mapeamento aéreo da copa das árvores. O objetivo é observar, localizar e mapear espécies ameaçadas, auxiliando diretamente a unidade de conservação na proteção dessas espécies tão importante. A proposta é realizar a coleta de sementes e a produção de mudas desses exemplares, a fim de garantir a preservação da diversidade genética local e fortalecer futuras ações de restauração ecológica – destacou ele.

Na mesma trilha, outra surpresa: foi encontrada uma população de, aproximadamente, 50 indivíduos de pau-brasil-folha-arruda-RJ, espécie raríssima e exclusiva do Estado do Rio de Janeiro.

Até poucos anos atrás, o pau-brasil era conhecido apenas por três morfotipos: folha de Arruda, folha-de-café e folha-de-laranja. Porém, com o avanço das pesquisas sobre o genoma do pau-brasil, foram identificadas cinco linhagens que vivem no litoral brasileiro: norte, arruda-BA, laranja, café e arruda-RJ, sendo este último exclusivo do Estado do Rio de Janeiro, segundo o pesquisador Dr. Haroldo Cavalcante de Lima, do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um dos autores desse estudo.

Recentemente, um estudo conduzido pela bióloga e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Patrícia da Rosa, confirmou a existência da população nativa de pau-brasil-folha-arruda-RJ.

Segundo a pesquisadora, a linhagem arruda-RJ é endêmica do Rio de Janeiro. Isso transforma o Estado do Rio em responsável direto pela conservação dessa diversidade genética única da flora brasileira. Essas descobertas também mostram que fragmentos florestais urbanos ainda conservam biodiversidade de altíssimo valor ecológico e genético.

  • O núcleo Piraquara, por exemplo, foi identificado como um dos poucos fragmentos de alta prioridade para conservação da linhagem arruda-RJ, reunindo populações saudáveis, regeneração natural e potencial para produção de sementes e mudas destinadas à restauração ecológica. A redescoberta dessas populações nativas representa uma notícia extremamente importante para a conservação da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. Isso confirma que ainda existem remanescentes com pau-brasil da linhagem arruda-RJ sobrevivendo em áreas urbanas, mesmo após séculos de exploração e perda de habitat – ressaltou Patrícia da Rosa.