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Mãe e irmão de Oruam são presos pela PF em operação contra a internet controlada pelo CV no Alemão, Penha e Chapadão

Ação cumpre mandados contra parentes de Marcinho VP e vereador; esquema milionário impunha serviço clandestino a moradores no Rio de Janeiro

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Viaturas da Polícia Federal e agentes em frente a uma residência moderna de alto padrão
Operação Backbone da Polícia Federal em imóvel de alto padrão, alvo de investigação contra lavagem de dinheiro do Comando Vermelho - Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal deflagrou a Operação Backbone contra uma rede de provedores de internet controlada pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A ação cumpriu mandados expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mirando familiares do traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e o vereador carioca Fabio Silva, do Podemos, detido em Londrina.

A decisão judicial ordenou o bloqueio de até R$ 558 milhões ligados a 40 pessoas físicas e 42 empresas. Agentes saíram para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em seis municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Até o momento, a corporação confirmou 19 prisões, incluindo uma nova ordem contra Marcinho VP, que já estava encarcerado. A apuração não indicou se o cantor Oruam, filho do traficante, é investigado no inquérito. Entre os alvos das ordens de captura estão Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca.

Monopólio armado e lavagem de dinheiro

A quadrilha controlava a distribuição de internet nos complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão. Homens armados cortavam cabos de operadoras autorizadas, queimavam equipamentos e impediam reparos para obrigar moradores e comerciantes a contratar o serviço clandestino, cujas mensalidades financiavam a facção.

Os lucros eram movimentados por empresas arrecadadoras e intermediários, além de ocultados em publicidade, moedas digitais, produtoras de eventos e imóveis de alto padrão pagos em dinheiro. Por ordem judicial, dezenas de empresas, incluindo provedores ilegais, firmas de fachada e escritórios de contabilidade, tiveram as atividades suspensas.

Segundo a PF, registros da própria facção apontam que, em um único mês, a cobrança pela internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha. O esquema também incentivava disputas territoriais, já que a conquista de novas áreas ampliava a base de clientes submetidos à cobrança.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Crimes investigados e medidas regulatórias

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi determinada a lacrar provedores ilegais e cassar autorizações. As medidas devem buscar evitar que moradores das áreas afetadas fiquem sem conexão.

Os investigados poderão responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, lavagem de capitais, exploração clandestina de telecomunicações, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e interrupção de sinal telemático.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas no Rio de Janeiro, conforme diretrizes da ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal.