Polícia identifica assaltante que atirou três vezes contra arqueóloga aposentada no Leblon - Super Rádio Tupi
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Polícia identifica assaltante que atirou três vezes contra arqueóloga aposentada no Leblon

Vítima foi responsável pela descoberta histórica do Cais do Valongo em 2011

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A arqueóloga e professora aposentada Tania Andrade Lima, de 80 anos, foi baleada durante um assalto no Leblon, na Zona Sul do Rio. Foto: Reprodução

Um dos suspeitos de balear a arqueóloga e professora aposentada Tania Andrade Lima, de 80 anos, foi identificado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O assalto ocorreu na Rua General Venâncio Flores, no Leblon, na Zona Sul da capital fluminense, logo depois de a idosa retirar dinheiro em uma agência bancária. A vítima tentou resistir ao ataque e foi atingida por três disparos.

A pesquisadora, reconhecida por ter descoberto o Cais do Valongo durante as reformas da Zona Portuária carioca em 2011, foi socorrida e hospitalizada. A polícia trabalha com a hipótese de que ela tenha sido seguida por criminosos especializados em golpes na modalidade conhecida como “saidinha de banco”.

Como aconteceu o assalto no Leblon?

A abordagem foi gravada por câmeras de segurança por volta das 14h. Um homem usando boné preto correu até a vítima, que caminhava pela calçada, e tentou arrancar a bolsa dela. Ao puxar o braço da arqueóloga, o criminoso a jogou no chão e a arrastou.

De acordo com Antonio Rocha, sobrinho da vítima, a suspeita da família é de que alguém dentro do banco tenha passado a informação do saque, que correspondia a uma quantia considerável. Ele contou que o suspeito abordou sua tia por trás a caminho do carro. Tania segurou a bolsa e, nesse momento, o rapaz atirou três vezes contra ela. Testemunhas se aproximaram e o assaltante escapou na garupa de uma motocicleta. O valor levado não foi divulgado.

Qual é o estado de saúde da arqueóloga?

Foto: Acervo pessoal

Tania foi inicialmente atendida no Hospital Municipal Miguel Couto, localizado na Gávea. A unidade informou que os tiros causaram ferimentos sem gravidade no pescoço e no ombro, mas a lesão na mão demandava mais atenção.

A arqueóloga acabou transferida para outra instituição de saúde no início da noite. O sobrinho informou que uma das balas ficou alojada na região do pescoço, próxima à coluna cervical, com possibilidade de ser retirada em procedimento cirúrgico.

Como foi a fuga dos assaltantes?

Imagens de segurança mostram que um carro passou a perseguir a moto dos criminosos na contramão após o crime. Durante o trajeto, câmeras registraram a queda de um objeto que estava com os suspeitos.

A Polícia Militar instalou pontos de bloqueio nos acessos ao Túnel Rebouças, mas os ocupantes da moto conseguiram passar. No Elevado Paulo de Frontin, os dois colidiram contra um automóvel, abandonaram o veículo original, roubaram outra moto e continuaram a escapar. Agentes apreenderam dois celulares e a primeira motocicleta usada na ação.

O inquérito conduzido pela Delegacia do Leblon (14ª DP) aponta que o autor dos disparos integra uma quadrilha focada em roubos no Centro da cidade. Além do homem identificado, os investigadores já conhecem os traços físicos do comparsa e tentam localizar a dupla.

Peritos recolheram impressões digitais na cena do crime e na motocicleta abandonada. As equipes também usam gravações de ruas vizinhas para mapear o deslocamento dos assaltantes antes da investida contra a professora.

Quem é a pesquisadora Tania Andrade Lima?

Foto: Divulgação/Iphan

Tania Andrade Lima construiu uma carreira de destaque nacional e internacional na arqueologia. Ela é professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde criou e esteve à frente do Programa de Pós-Graduação na área, e atua como pesquisadora sênior do CNPq.

Ao longo de sua trajetória, ela recebeu importantes condecorações científicas e culturais:

  • Hypatia Award: prêmio internacional conquistado em 2023, do qual foi a segunda brasileira homenageada
  • Comenda da Ordem do Mérito Cultural: concedida no ano de 2006
  • Prêmio Faz Diferença: premiação do jornal O Globo recebida em 2016 na categoria Rio

O Museu Nacional divulgou uma nota de apoio lamentando a ocorrência da violência no Dia dos Professores e ressaltando a relevância da atuação acadêmica da docente. A instituição manifestou solidariedade aos parentes e colegas da pesquisadora, expressando o desejo de que ela tenha uma recuperação breve e completa.