Rio
Vereador do Rio é preso em operação contra o Comando Vermelho; mãe de Oruam segue foragida
Operação Contenção Red Legacy revela cartel do CV, vereador e familiares de Marcinho VP
Seis pessoas foram presas nesta quarta-feira (11) durante a Operação Contenção Red Legacy. Entre os detidos está um vereador do Rio de Janeiro. O alvo da ação é a estrutura nacional do Comando Vermelho, que as investigações descrevem como um cartel com ramificações interestaduais e cadeia de comando hierarquizada.
Entre os alvos da operação também estão policiais militares suspeitos de envolvimento com o esquema investigado. Foram citados o major Hélio da Costa Silva, o capitão Reuel de Almeida Silva, os cabos Leandro Oliveira Loiola, Rodrigo Paiva Lopes e Thiago Monteiro Marcelino, além do soldado Thomás dos Santos Machado.
Vereador negociou campanha com traficante
O parlamentar Salvino Oliveira (PSD-RJ) foi preso sob suspeita de ter negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, autorização para fazer campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área controlada pelo Comando Vermelho.
Em troca, segundo a investigação, o vereador teria articulado benefícios para o grupo, apresentados publicamente como iniciativas voltadas à população local.
“Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou o vereador, quando chegou na Cidade da Polícia, em entrevista à TV Globo.
Um dos casos investigados envolve a instalação de quiosques na região. De acordo com o que foi apurado, integrantes da facção teriam definido diretamente parte dos beneficiários, sem qualquer processo transparente.
As investigações apontam que o objetivo dessas articulações políticas era transformar territórios dominados pelo tráfico em bases eleitorais consolidadas.
Família de Marcinho VP e estrutura de cartel

Mesmo cumprindo pena há quase três décadas, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP“, é apontado como líder do chamado conselho federal permanente do Comando Vermelho. Sua esposa, Márcia Gama, teria papel ativo na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre membros e de articulações com agentes externos.
O sobrinho do criminoso, identificado como Landerson, seria o elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam nas comunidades e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização, como serviços, imóveis e outros negócios usados para gerar recursos e expandir o poder do grupo. Tanto Márcia quanto Landerson não foram encontrados nos endereços indicados e são considerados foragidos.
Além deles, a apuração identificou outras funções estratégicas dentro da organização: “Doca” como principal liderança nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, responsável pela gestão financeira; e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, encarregado de operacionalizar as ordens da cúpula.
O material reunido pelos investigadores aponta ainda para a existência de conselhos regionais e indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), configurando uma estrutura com características de cartel interestadual.
Durante as investigações, também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter informações privilegiadas e simular operações. A Polícia Civil destacou que esse tipo de conduta não representa o trabalho da maioria dos profissionais de segurança pública.
As investigações seguem em andamento para ampliar a responsabilização penal dos envolvidos e desmontar as estruturas financeiras e operacionais da organização.