Vereador é preso em operação que investiga ligação do Comando Vermelho com política no Rio - Super Rádio Tupi
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Vereador é preso em operação que investiga ligação do Comando Vermelho com política no Rio

Polícia Civil apura negociação eleitoral com traficante Doca; dez pessoas foram presas e outros suspeitos seguem foragidos
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Foto: Reprodução

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a relação entre o tráfico de drogas e lideranças políticas no estado. O vereador Salvino Oliveira, ex-secretário municipal de Juventude do Rio, foi preso e presta depoimento na Cidade da Polícia nesta quarta-feira.

Segundo as investigações do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, o parlamentar teria negociado apoio de campanha eleitoral na região da Gardênia Azul com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como um dos criminosos mais procurados do país e principal líder do Comando Vermelho no Rio.

A operação também tenta cumprir mandados de prisão contra Márcia Gama Nepomuceno, mãe do rapper Oruam. Ambos são considerados foragidos e tiveram a prisão decretada pelo Tribunal de Justiça do Rio por envolvimento no que a Polícia Civil classifica como “cartel do tráfico de drogas”.

Para o comentarista Felipe Melo, a investigação indica uma mudança na atuação da facção criminosa.

“Até o início dos anos 2000, na Câmara de Vereadores tivemos problemas com parlamentares ligados à milícia. O Comando Vermelho não se envolvia nesse lado político. Agora a gente percebe que a facção decidiu de vez ganhar dinheiro também em cima da política, seguindo a prática das milícias”, afirmou.

Felipe Melo também avaliou o avanço territorial das facções criminosas no estado.

“Diante da legislação da Constituição brasileira, o terrorismo tem que ter uma motivação política ou ideológica. Porém querem mudar no Congresso para que a ocupação de territórios também seja colocada como terrorismo. Cada vez mais áreas são dominadas por facções e, evidentemente, o que está acontecendo é um narcoterrorismo aqui no Rio de Janeiro”, disse.

Até o momento, dez pessoas foram presas na operação. A reportagem pediu posicionamento da defesa de Salvino Oliveira, do partido PSD e da Câmara Municipal do Rio, mas não houve resposta.