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Justiça manda soltar vereador Salvino Oliveira, preso acusado de ligação com Comando Vermelho

Justiça aponta provas "precárias" e manda soltar vereador Salvino Oliveira no RJ

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Foto: Reprodução/TV Globo

O desembargador Marcus Henrique Basílio determinou, nesta sexta-feira (13), a soltura do vereador Salvino Oliveira (PSD) após a defesa apresentar habeas corpus. O parlamentar havia sido preso na quarta-feira (11), durante uma operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho, e estava no presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. Na quinta-feira (12), a Justiça havia mantido a prisão por considerar válida a decisão de prisão temporária.

Na decisão, Basílio apontou que os indícios apresentados pela polícia são insuficientes para justificar a manutenção da prisão. O magistrado estabeleceu duas medidas cautelares: proibição de deixar o estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e vedação de contato com os demais investigados.

Fundamento da prisão considerado “precário”

No texto da decisão, o desembargador afirmou que o principal elemento usado para embasar a detenção foi uma conversa entre terceiros, ocorrida há mais de um ano, na qual o nome do vereador aparecia. “O fundamento da prisão quanto ao indício do seu envolvimento naquela organização é bastante precário”, escreveu Basílio, acrescentando que a investigação não apontou concretamente a imprescindibilidade da prisão para o andamento das apurações.

O magistrado também diferenciou prisão cautelar de prisão definitiva. “Não se pode confundir a prisão cautelar com a definitiva. Essa reclama condenação transitada em julgado, não podendo aquela ser decretada sem que haja mínimo elemento informativo do envolvimento do indiciado na organização criminosa”, registrou.

Foto: Divulgação

Basílio destacou ainda que Salvino tem residência e emprego fixos, que um mandado de busca e apreensão já havia sido cumprido e que o parlamentar pode ser localizado com facilidade caso precise prestar depoimento. O desembargador concluiu não haver indícios concretos de risco de fuga, apesar de menção genérica nesse sentido na decisão anterior. Na quinta-feira, outro juízo havia mantido a prisão por não identificar ilegalidade no mandado temporário, que ainda estava dentro do prazo de validade.

Principais momentos da prisão e soltura

Entenda a sequência dos eventos que levaram à decisão judicial.

Data Evento Principal
Quarta-feira (11) Vereador Salvino Oliveira é preso na Operação Contenção Red Legacy, da Polícia Civil, sob acusação de ligação com o Comando Vermelho.
Quinta-feira (12) A Justiça mantém a prisão de Salvino, por considerar o mandado temporário válido e sem ilegalidades. Defesa entra com pedido de habeas corpus.
Sexta-feira (13) Justiça determina a soltura de Salvino Oliveira do presídio de Benfica, mediante aplicação de medidas cautelares.

Operação prendeu seis PMs e o vereador

A Operação Contenção Red Legacy, deflagrada na quarta-feira (11) pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, teve como alvo a estrutura nacional do Comando Vermelho. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão. Até o fechamento desta reportagem, sete pessoas haviam sido presas e outras quatro já estavam encarceradas. Entre os detidos na ação estavam seis policiais militares e o vereador Salvino Oliveira.

A mulher de Marcinho VP, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do funkeiro Oruam, e Landerson Lucas dos Santos, sobrinho do traficante, são considerados foragidos. Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico para transformá-las em bases eleitorais.

O delegado Vinicius Miranda, titular da DCOC-LD, afirmou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia reunir indícios de ligação com o Comando Vermelho. Segundo ele, novos detalhes devem surgir com a análise de documentos e do celular apreendido durante a operação.

Foto: Reprodução

De acordo com os investigadores, o vereador teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, para realizar campanha na Gardênia Azul. Entre as provas está a imagem de uma conversa no WhatsApp entre um intermediário conhecido como Dom e o traficante. No material, porém, não há registro de diálogo direto entre Salvino e Doca. Dom foi executado em maio de 2025 e a polícia suspeita de queima de arquivo.

Salvino nega qualquer ligação com o traficante e afirma ser vítima de perseguição política. Já a defesa de Márcia Nepomuceno classificou as acusações como infundadas, destacando que ela já foi absolvida em investigação anterior e que é servidora pública concursada, ré primária e com patrimônio comprovado.