Rio
Violência impacta acesso de quase 190 mil estudantes às escolas no Rio
Estudo aponta interrupções no transporte público e prejuízos à educação de crianças e adolescentes na rede municipal
Um estudo revela que quase 190 mil crianças e adolescentes da rede municipal do Rio de Janeiro tiveram o trajeto até a escola afetado pela violência armada. Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, foram registradas mais de 2.200 interrupções no transporte público, deixando milhares de alunos sem conseguir chegar às aulas.
O levantamento mostra que o problema é amplo: cerca de 95% das escolas municipais foram impactadas ao menos uma vez no período analisado.
Segundo o especialista em segurança pública, Coronel Batista, o cenário reflete um ambiente de confronto constante na cidade:
“Isso é a realidade que o Estado vive, de um confronto quase diário, recorrente da apreensão de armas, prisão em escala industrial; logo, o problema não é a falta de ação policial. Então, com mais de 2.200 confrontos por ano, centenas de fuzis apreendidos e mais de 200 prisões em seis anos, o Rio não sofre de inação policial, ele sofre de um ambiente armado extremo, que exige ação qualificada, governança forte e incentivos corretos.”
As regiões mais afetadas são áreas das zonas Norte e Oeste, como Penha, Bangu e Jacarepaguá, onde a circulação de transporte público chega a ser interrompida por longos períodos, impactando diretamente a rotina escolar.
Além das operações policiais, fatores como barricadas, tiroteios e ações criminosas estão entre as principais causas das paralisações.
O especialista também aponta caminhos para enfrentar o problema e reduzir os impactos na educação:
“O único caminho sustentável é a ação firme com inteligência, controle e proteção jurídica dos policiais. Que ações devem ser tomadas? O Estado brasileiro tem que fundar um pacto nacional contra a violência, e isso deve partir do governo federal em consonância com os estados. Não existe bala de prata nessa situação. Prisões, com certeza muitas prisões, ação contínua e muito trabalho da polícia ostensiva, incluindo disciplina de trânsito, por exemplo, fiscalização constante e combate à corrupção.”
O estudo reforça que a violência armada não afeta apenas a segurança, mas compromete diretamente o direito à educação, ao limitar o deslocamento e a permanência de estudantes nas escolas.