Rio

Cadeirantes elogiam sistema de acessibilidade do Rock in Rio

Produção do festival organizou cadeiras de rodas e sistemas adaptáveis elétricos

Por Marcelo Antonio Ferreira e Rachel Amorim

Há pouco mais de seis meses, Guilherme teve que amputar a perna por causa de uma infecção contraída /Foto: Marcelo Antonio Ferreira

Com a expectativa de receber 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de concertos, uma média de 100 mil diária, a produção do Rock in Rio entendeu que parte do público também frequentador do evento pode vir a ter algum problema físico. Então, ao chegar na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, cadeirantes e deficientes físicos irão encontrar um ambiente que incentiva uma locomoção prática.

Logo no portão de entrada do festival, em um stand da Doritos, se pode solicitar as cadeiras de rodas manuais ou os kit´s livres, um suporte motorizado que é adaptável a qualquer tipo de sistema de apoio físico. A produção do evento disponibilizou, ao todo, 85 cadeiras, entre normais e motorizadas. E para maiores distâncias, também tem como pedir pelo transporte por meio de um carrinho de golfe – o que é uma possibilidade, já que o espaço onde ocorre o Rock in Rio tem 385 mil metros quadrados-, que é uma exceção para PCD.

Sem poder encarar longas distâncias, a professora Maria de Fátima Mesquita, de 51 anos, veio de Brasília com a família apenas para conferir o evento. Portadora de fibrose pulmonar, caminhar trajeto muito grandes se tornou uma impossibilidade a ela pela falta de ar. Mas, felizmente, tudo ocorreu da melhor maneira possível, pois, de acordo com Maria, o único problema foi chagar à portaria da Cidade do Rock; a partir daí, ela foi só elogios à estrutura.

“Está muito aprovada (a produção do festival). Vim com medo de Brasília, porque faz tempo em que sonho estar nesse evento com meus filhos. E e eles não queriam que eu viesse por causa do meu problema, e eu disse que ia, pois tinha certeza que aqui conseguiria ajuda. E, graças a Deus, cheguei aqui e encontrei a ajuda que precisava. A acessibilidade está ótima também para a alimentação e os banheiros. O Rock in Rio está de parabéns”, elogiou a professora que, ao lado da família, estava em uma cadeira de rodas manual.

A outra opção é o kit livre, um sistema motorizado de uma roda, cujas laterais são adaptáveis às cadeiras. Quem utilizou um desses, foi o guia turístico Guilherme Lima, de 48 anos, que, durante o carnaval deste ano, contraiu uma grave infecção que na mesma semana obrigou os médicos a amputarem uma das pernas dele; há três meses, ele colocou uma prótese. Nesta sexta-feira, Lima veio à oitava edição carioca do Rock in Rio para assistir ao show da banda inglesa Iron Maiden, principal atração da noite. Mas hoje, diferentemente de domingo, quando também esteve aqui, ele conseguiu um kit livre.

“Acho que seria legal se mais eventos tivessem todo esse apoio de acessibilidade que o Rock in Rio dá. Pois não é só a cadeira, também tem o estacionamento especial, e eu vim dirigindo no meu carro, que também é adaptado. Quem não tem carro, pode ir até o Shopping Metropolitano, que eles (a produção do evento) traz de van até aqui. Também tem carrinho de golfe para levar de um lugar para o outro. Tem todo um apoio que os outros lugares não têm. E são poucos os cadeirantes que frequentam esses lugares pois os próprios locais não incentivam. Se incentivassem mais, talvez, mais pessoas fossem” disse o guia.

Lima fez uma crítica em relação ao controle do tempo em que cada pessoa pode ficar com o kit. De acordo com ele, deveria ser mais regulado, pois, segundo ele, sem o sistema elétrico como ficou no domingo, a situação fica bem mais compliocada.

“Hoje, cheguei mais cedo e consegui pegar uma cadeira. Consigo ir ao banheiro, inclusive. No domingo, fiquei muito travado, pois estava só com as moletas e ainda estou em uma fase de adaptação com a prótese, então, foi bem difícil. A única crítica que eu tenho é que devia ser por tempo, porque a pessoa que chega às 14h e consegue pegar, não tem hora para devolver. Então, quem chega depois, fica sem. Podia ser duas horas com um, duas horas com outro. Assim, mais pessoas teriam acesso”, disse Lima.

Ele ainda relembrou um episódio no qual se encontrou em uma situação na qual teve que se privar de um serviço devido à falta de acessibilidade.

“Teve uma situação, quando não tinha prótese ainda, que fui em um restaurante e o funcionário se desculpou por não ter rampa e outros facilitadores. Falei: ‘não esquenta, não. Isso é uma coisa temporária, porque daqui a pouco vou colocar a prótese, e acabou o problema’. Mas, na verdade, tinha um problema, porque tem outros deficientes. Tinha que ter mais lugares preocupados, mas não apenas por inclusão, mas pelo lado prático, empresarial também, pois é um público” alerta ele.

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