Saúde
Doença celíaca silenciosa afeta a fertilidade e pode reduzir a reserva ovariana sem dar sinais claros
Doença celíaca pode comprometer os ovários e a qualidade dos óvulos; saiba quais exames podem ajudar na investigação.
A dificuldade para engravidar sem uma causa aparente pode ter uma origem surpreendente: a sensibilidade ao glúten. A doença celíaca, uma condição autoimune que vai muito além de desconfortos digestivos, está diretamente ligada à saúde reprodutiva feminina e nem sempre dá sinais claros, como dores de estômago ou diarreia.
Esse alerta reforça a importância de reconhecer os sinais da doença celíaca, um diagnóstico que muitas mulheres demoram a receber. A identificação tardia pode prolongar os sintomas e dificultar o controle da condição.
O que a doença celíaca tem a ver com a dificuldade para engravidar?
A doença celíaca provoca uma inflamação crônica no intestino delgado quando a pessoa consome glúten. Essa reação inflamatória, no entanto, não fica restrita ao sistema digestivo e pode se espalhar pelo corpo, afetando outros órgãos, inclusive os reprodutivos.
Mas eu não sinto nada no estômago. Como isso é possível?
Aqui reside o principal obstáculo para o diagnóstico. Muitas pessoas possuem a chamada doença celíaca “silenciosa” ou “não clássica”. Nesses casos, os sintomas gastrointestinais são mínimos ou inexistentes, mas a condição se manifesta de outras formas.
Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FEBRAGE), manifestações como anemia por deficiência de ferro que não melhora com suplementação, enxaquecas, aftas recorrentes e infertilidade podem ser os únicos sinais da doença. A inflamação intestinal acontece, mas de forma oculta.
Como o glúten afeta diretamente os ovários?
A inflamação crônica causada pelo glúten leva à má absorção de nutrientes vitais para a saúde ovariana, como zinco, selênio, ferro e ácido fólico. Essa deficiência nutricional pode levar a um envelhecimento precoce dos ovários, resultando em uma reserva ovariana reduzida.
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Para quem está tentando engravidar e suspeita da condição, o caminho investigativo é claro e deve ser orientado por um médico. A investigação começa com exames de sangue que buscam por anticorpos específicos, como o anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) IgA.
Caso os marcadores venham alterados, o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico é a endoscopia com biópsia do duodeno, a primeira porção do intestino delgado. É fundamental não cortar o glúten da dieta antes de realizar os testes, pois isso pode alterar os resultados e mascarar a doença.
Para quem planeja uma gravidez, investigar a relação com o glúten não é um exagero, mas uma etapa essencial de cuidado com a própria saúde reprodutiva.