Saúde
Inteligência artificial revolucionária prevê casos de câncer no fígado ao processar múltiplas variáveis de pacientes simultaneamente
sistema alemão promete sanar uma das maiores dificuldades da prática clínica; descubra por que os modelos de diagnóstico atuais falham tanto
Pesquisadores da RWTH Aachen University, na Alemanha, desenvolveram um modelo de aprendizado de máquina capaz de prever o risco de carcinoma hepatocelular, o câncer primário no fígado. Para isso, a ferramenta utiliza dados clínicos de rotina.
O carcinoma hepatocelular é o tipo mais comum de câncer primário do fígado. Além disso, o modelo superou ferramentas existentes de avaliação de risco. A tecnologia conseguiu identificar mais casos da doença sem aumentar de forma significativa os falsos positivos.
O sistema utiliza inteligência artificial para processar conjuntos de dados complexos. Dessa maneira, consegue identificar padrões em várias informações ao mesmo tempo.
A abordagem busca responder a um desafio da prática clínica. Afinal, identificar pessoas com maior risco de desenvolver câncer no fígado pode ser difícil. Isso ocorre porque diversos fatores estão associados ao desenvolvimento da doença.
A doença hepática subjacente é um dos principais fatores de risco para o carcinoma hepatocelular. No entanto, outras condições também podem aumentar a probabilidade da doença, como:
- sexo masculino;
- tabagismo;
- consumo excessivo de álcool.
Testes com dados do Reino Unido e dos Estados Unidos
Para desenvolver o modelo, os pesquisadores utilizaram registros do UK Biobank. A base reúne históricos de saúde de mais de 500 mil participantes.
Nesse grupo, foram identificados 538 casos de carcinoma hepatocelular. Além disso, quase 70% dessas ocorrências aconteceram em pacientes sem diagnóstico anterior de cirrose ou de doença hepática crônica.
Primeiramente, a equipe treinou a ferramenta com 80% dos dados britânicos. Os 20% restantes foram utilizados para uma validação inicial.
Em seguida, os pesquisadores fizeram uma validação externa com o programa de pesquisa All of Us. A iniciativa reúne registros de mais de 400 mil pessoas nos Estados Unidos e apresenta uma população mais diversa.
Nessa segunda etapa, foram contabilizados 445 casos da doença. Assim, os pesquisadores puderam avaliar se o modelo manteria seu desempenho em uma população diferente daquela utilizada durante o treinamento.
Alta precisão sem testes complexos
O algoritmo registrou uma pontuação de 0,88 na análise. Em uma escala desse tipo, o índice 1 representa uma discriminação perfeita.
Portanto, o resultado indica uma boa capacidade de diferenciar pessoas com maior risco de carcinoma hepatocelular daquelas com menor probabilidade da doença.
Além disso, a inclusão de dados mais complexos não provocou melhorias significativas no desempenho geral. Entre essas informações estavam dados genômicos e outras características biológicas.
A pesquisa foi publicada no periódico Cancer Discovery. Segundo o estudo, parâmetros clínicos simples podem ajudar a estimar o risco de carcinoma hepatocelular.
Dessa forma, a ferramenta pode contribuir para a identificação de pessoas com maior risco de câncer no fígado sem depender, necessariamente, de informações mais complexas.
No entanto, o modelo não funciona como um exame capaz de confirmar sozinho a presença da doença. Ele serve para estimar o risco e pode auxiliar estratégias de identificação precoce.
A pesquisa foi publicada sob o DOI 10.1158/2159-8290.CD-25-1323. O estudo, portanto, aponta uma possibilidade de uso da inteligência artificial na avaliação do risco de câncer primário do fígado.