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A guerra se expande para vizinhos do Irã e ameaça toda a região

Forças de Teerã atacam bases americanas na Jordânia. EUA e Arábia Saudita bombardeiam posições de milícias xiitas no Iraque. Drones atingem navio no Egito. Trump usa termo chulo ao jurar vingança

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Donald Trump foi o responsável pelo retorno dessa franquia de sucesso
Créditos: depositphotos.com / palinchak

Um drone atingiu, nesta quarta-feira (29/7), um navio-tanque de gás dos Estados Unidos no Porto de Damietta, no norte do Egito, à margem do Mar Mediterrâneo. Horas antes, durante a madrugada, a Guarda Revolucionária Iraniana — espinha dorsal do regime de Teerã — atacou com mísseis uma base aérea norte-americana e o Centro de Comando Central dos EUA, na Jordânia. As Forças Armadas do país anunciaram a interceptação de cinco artefatos.

Com o auxílio de aviões da Arábia Saudita, os Estados Unidos lançaram uma ofensiva contra posições da Hashed Al-Shaabi, uma milícia xiita apoiada pelo Irã. De acordo com o grupo, 20 de seus combatentes foram mortos e 32 ficaram feridos.

Washington garante que os alvos foram instalações logísticas e depósitos de armamentos do grupo. No entanto, o governo do Iraque denunciou “um ataque inaceitável e uma flagrante violação da soberania”. Fontes iranianas confirmaram à tevê Al-Jazeera que quatro integrantes da Guarda Revolucionária estão entre os mortos. Uma outra milícia iraquiana pró-Irã, a Harakat Hezbollah Al-Nujaba, advertiu que os interesses americanos e sauditas no Golfo Pérsico enfrentarão “consequências”.    

O Ministério da Defesa saudita afirmou que a defesa antiaérea do reino “destruiu vários drones que tentaram alvejar as instalações de petróleo nas regiões da Província Oriental e de Riad, lançados do Iraque e realizados por milícias terroristas alinhadas ao Irã”. Na tentativa de proteger as embarcações que navegam pelo Mar Vermelho de ações dos rebeldes separatistas iemenitas houthis, aliados do Irã, a Arábia Saudita tenta criar uma coalizão internacional, segundo a agência de notícias Reuters. Em reação ao ataque à Jordânia, Trump afirmou à emissora Fox News que “os EUA vão encher a p… do Irã de porrada”

Mais tarde, na Casa Branca, diante de jornalistas, o republicano voltou a ameaçar o Irã. “Nós vamos atingi-los com muita força. Porque chegou a nossa vez de atacá-los. Eles sabem que isso vai acontecer. Estão nos pedindo para não fazê-lo”, declarou o republicano. Trump disse ter recebido informações sobre a ofensiva de drones no Egito. “Veremos se chegaremos a um acordo (com o Irã) em algum momento”, acrescentou. Ao justificar o disparo de mísseis contra as bases na Jordânia, a Guarda Revolucionária Islâmica avisou: “Enquanto continuarem as ameaças contra a República Islâmica do Irã (…) a resistência continuará”.

Estratégia

Especialista em Golfo Pérsico pela Universidade Rice (em Houston), Kristian Coates Ulrichsen admitiu ao Correio que o objetiVo de longa data do Irã tem sido o de afastar as tropas americanas de seu território. “É pouco provável que o regime de Teerã mude de rumo agora. Mais uma vez, os parceiros dos EUA no Golfo Pérsico é que pagarão o preço. Temos observado que eles vêm se mostrando mais assertivos na defesa de seus interesses”, explicou. “Existe o risco de que dinâmicas de escalada de todos os lados possam desencadear novos ataques, como temos visto com os houthis (rebeldes do Iêmen) do que com o Hezbollah (movimento xiita libanês) nos últimos dias.” 

A violação do cessar-fogo no Líbano também elevou a tensão regional. As Forças de Defesa de Israel (IDF) acusaram o movimento xiita libanês pró-Irã Hezbollah de “flagrante” desrespeito da trégua, ao acusá-lo de lançar um drone contra um veículo israelense. O incidente ocorreu em uma faixa do território onde as tropas do Estado judeu estão destacadas, que avança cerca de 10 km no sul do Líbano ao longo da fronteira entre os dois países. Um acordo mediado pelos Estados Unidos no mês passado determina que o Exército libanês desarme o Hezbollah e que os militares israelenses se retirem das chamadas “zonas piloto”.