Acidentes com bikes elétricas disparam no Rio e preocupam pedestres na Zona Sul - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Rio

Acidentes com bikes elétricas disparam no Rio e preocupam pedestres na Zona Sul

Crescimento de atropelamentos e colisões acende alerta sobre excesso de velocidade, falta de atenção e convivência nas ciclovias da cidade

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Além da praticidade, há um componente econômico relevante. Bicicletas elétricas e patinetes costumam ter custo de aquisição e manutenção mais baixos do que veículos motorizados tradicionais, além de não dependerem de combustíveis fósseis.

O aumento no número de acidentes envolvendo bicicletas elétricas, patinetes e ciclomotores tem preocupado moradores do Rio de Janeiro, principalmente em bairros da Zona Sul. Pedestres relatam medo ao atravessar ciclovias e reclamam da alta velocidade dos condutores, enquanto especialistas alertam para o risco crescente de acidentes graves.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os acidentes com bicicletas elétricas e veículos autopropelidos cresceram 244% na capital entre 2024 e 2025. Em todo o estado, o aumento foi de 179% no mesmo período. As novas regras de circulação para ciclomotores foram publicadas pela Prefeitura do Rio no dia 6 de abril.

Em Botafogo, moradores afirmam que os condutores frequentemente desrespeitam pedestres e trafegam acima da velocidade permitida.

“Não tem segurança porque eles não respeitam os idosos, aliás, eles não respeitam ninguém. Ontem uma amiga minha quase foi atropelada aqui e já é uma idosa de 72 anos”, relatou uma moradora.

Outra pedestre afirmou que a imprudência é constante.

“Acidente eu não vi, mas é por sorte, porque realmente é muita gente passando e bicicleta, moto… então é perigoso.”

Já um comerciante contou ter presenciado uma colisão recentemente.

“Ontem mesmo uma bicicleta acertou uma moça e ela caiu, machucou o joelho. Eles passam aqui voado.”

A gerente de Recursos Humanos da Super Rádio Tupi, Cláudia Oliveira, também foi vítima de um acidente na manhã desta quarta-feira, no Catete. Ela foi atingida na perna por uma bicicleta elétrica enquanto tentava atravessar a rua.

“Eu estava ali esperando para atravessar quando o cara passou e me deu a porrada na canela. Eles acham que a via é só deles, andam em velocidade muito grande. Podia ter sido uma tragédia”, afirmou Cláudia Oliveira.

A repórter Lorrane Alvin também sofreu um acidente envolvendo uma bicicleta elétrica em Botafogo, na Rua General Severiano. Ela contou que não percebeu a aproximação do veículo ao atravessar uma área compartilhada entre pedestres e ciclistas.

“Eu não observei a ciclovia. Pensei só em atravessar a rua e acabei não prestando atenção. Isso resultou num ferimento bem grave e me levou ao hospital”, disse Lohrrany Alvin.

O ortopedista e diretor médico do CREB, Dr. Rodrigo Kaz, explica que a velocidade das bicicletas elétricas reduz o tempo de reação de ciclistas e pedestres, aumentando o risco de colisões.

“Com bicicletas acima de 25 ou 30 km/h, o tempo de reação fica menor e aumenta a chance de acidentes”, explicou.

O médico também destacou que muitos usuários desses veículos não receberam educação adequada no trânsito.

“Os usuários das bicicletas elétricas não foram submetidos a uma educação no trânsito como acontece com motoristas e motociclistas. Países como Dinamarca, Alemanha e Holanda investem nisso desde a escola”, afirmou Dr. Rodrigo Kaz.

Segundo ele, o impacto já é percebido na saúde pública.

“Estamos vendo fraturas e contusões muito graves, semelhantes a acidentes motociclísticos. É um grande problema de saúde pública”, alertou.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública informou que intensificou as fiscalizações em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas da cidade. O secretário Marcos Belchior afirmou que o objetivo é garantir mais segurança para todos.

“O principal objetivo dessas ações é preservar vidas, organizar a convivência no trânsito e garantir mais segurança para pedestres, ciclistas e condutores”, declarou Marcos Belchior.

Ele reforçou ainda que a população também precisa colaborar. “É fundamental que cada cidadão faça sua parte, respeitando as regras de circulação e utilizando os equipamentos de forma consciente e segura.”

De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, em ciclovias localizadas sobre calçadas e devidamente sinalizadas, ciclomotores — veículos elétricos sem pedais — não podem circular. Já bicicletas elétricas com pedais podem trafegar nesses espaços, respeitando a velocidade máxima de 25 km/h. Em calçadas sem ciclovias, bicicletas e patinetes elétricos devem circular a no máximo 8 km/h.