Rio
Advogado diz que mulher fez gesto nazista com “deboche” após ser hostilizada no Rio
Investigação no Colégio Santo Inácio mobiliza agentes após vídeo viralizar; defesa alega ironia e comunidade judaica repudia ato com veemência
A Polícia Civil tenta agendar o depoimento de uma mulher flagrada ao fazer uma saudação nazista dentro de um local de votação na Zona Sul do Rio de Janeiro. A ação foi filmada por outros eleitores no Colégio Santo Inácio, no bairro de Botafogo, e acabou registrada na delegacia da região como injúria por preconceito.
Investigadores ouvem os relatos de testemunhas para esclarecer o ocorrido. O caso mobilizou agentes depois que as imagens ganharam repercussão na internet. O vídeo foi registrado por Ian Andrade, um eleitor judeu de 31 anos que decidiu confrontar a mulher ao receber o aviso de uma amiga de que ela já havia feito o gesto na entrada da escola.
No momento da gravação, a mulher caminhava pelo pátio em direção ao portão com o braço direito esticado para a frente e para o alto, com a mão espalmada. Ian Andrade, que usava uma camiseta branca neutra a caminho de um almoço familiar, relatou ter sentido repugnância diante da cena.
“Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo”, afirmou Ian. A atitude também provocou indignação entre outras pessoas presentes na fila, que passaram a filmar a discussão.
Versão apresentada pela defesa
O advogado Marcello Ramalho afirmou que a cliente ergueu o braço apenas para ironizar insultos verbais recebidos por causa de suas vestimentas. Na ocasião, ela usava uma blusa de apoio a Flávio Bolsonaro e um boné com o slogan da campanha de Donald Trump em 2016.
“Ela foi chamada de nazista, de racista, porque estava com o boné do Trump”, declarou Ramalho. O defensor alegou que o ato representou deboche e não configurou apologia racista. Ele pontuou que as falas ocorreram no calor de uma discussão e adiantou que a mulher pedirá desculpas à comunidade judaica quando prestar depoimento formal.
Manifestação da comunidade judaica
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro repudiou o episódio e comunicou que acompanha a apuração policial para que as medidas cabíveis sejam tomadas. Conforme a entidade, testemunhas apontaram que a mulher repetiu o gesto diversas vezes.
A entidade afirmou que a investigada respondeu “Pior ainda” ao ser alertada de que um dos presentes era judeu. Para a instituição, a conduta fere a memória das vítimas do nazismo, regime comandado por Adolf Hitler na Alemanha a partir de 1933 que perseguiu e exterminou cerca de 6 milhões de judeus durante o Holocausto.