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Alergias graves podem ganhar reforço na prevenção e no acesso a tratamento no Rio de Janeiro
O aumento dos casos de alergias severas tem preocupado especialistas e acendido um alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, da conscientização e do acesso rápido ao tratamento adequado. No Rio de Janeiro, médicos observam um crescimento significativo de pacientes com crises alérgicas respiratórias, alimentares e medicamentosas, muitas delas com risco de morte.
Segundo a alergista Dra. Aline Martinez, fatores como poluição, mudanças ambientais e o aumento dos casos de intolerância alimentar ajudam a explicar esse cenário.
“Trabalho com alergia desde 2015 e o número de alérgicos, principalmente respiratórios, tem crescido no estado pelo aumento da poluição e também pelos casos de intolerância alimentar. Muitas vezes os pacientes chegam às emergências com quadros severos de anafilaxia, e a adrenalina é o único método aplicado para estabilizar o paciente e evitar a morte”, explicou.
A médica destaca que muitas pessoas ainda subestimam o perigo das alergias graves, principalmente quando relacionadas a alimentos e medicamentos. Em alguns casos, a reação pode evoluir em poucos minutos para um quadro de anafilaxia, considerado uma emergência médica.
Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar, inchaço, queda de pressão, coceira intensa, dificuldade para respirar e perda de consciência. Nesses casos, a aplicação imediata da adrenalina pode ser decisiva para salvar a vida do paciente.
Além das alergias respiratórias, os casos de reações alimentares também vêm aumentando, especialmente em crianças. Leite, ovo, soja, trigo, frutos do mar e oleaginosas estão entre os principais gatilhos.
Quem convive com esse tipo de condição sabe que o medo de uma crise faz parte da rotina. É o caso da jovem Vitória Pereira de Carvalho, que possui alergias alimentares e medicamentosas e já precisou recorrer à adrenalina em situações emergenciais.
“Tenho alergia a alguns medicamentos e, quando usados, me causam crises. O uso da adrenalina é essencial para o meu restabelecimento, porque é uma situação que ameaça minha vida. Sempre preciso ter comigo uma adrenalina para quando necessário”, contou.
Segundo especialistas, um dos maiores desafios no Brasil ainda é o acesso ao medicamento autoinjetável, amplamente utilizado em outros países para conter crises graves de anafilaxia. O custo elevado e as dificuldades relacionadas à importação fazem com que muitas famílias encontrem obstáculos para manter o tratamento preventivo.
Além do acesso ao medicamento, médicos reforçam que a informação também é fundamental para evitar tragédias. Reconhecer rapidamente os sintomas, saber quando procurar ajuda e entender como agir diante de uma emergência pode reduzir complicações e salvar vidas.
Diante desse cenário, propostas apresentadas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) buscam ampliar as campanhas de conscientização sobre alergias graves e incentivar mecanismos que facilitem o acesso à adrenalina emergencial no estado.
As medidas incluem ações educativas em escolas e espaços públicos, divulgação de informações sobre sinais e sintomas, além de incentivo a parcerias entre hospitais, unidades de saúde e instituições de ensino para fortalecer a rede de prevenção e atendimento.
Autor das propostas, o deputado estadual Anderson Moraes afirma que a intenção é ampliar o conhecimento da população sobre os riscos das alergias severas.
“Muitas pessoas ainda enxergam alergia como algo simples, quando na verdade ela pode matar em poucos minutos. Informação e resposta rápida salvam vidas”, afirmou.
“Em muitos casos, a pessoa não consegue chegar ao hospital a tempo. Por isso, o acesso rápido ao medicamento faz toda a diferença”, completou.
Entenda as propostas
As propostas apresentadas na Alerj preveem campanhas educativas, ações de conscientização em escolas e espaços públicos e divulgação de informações sobre sinais, sintomas e procedimentos de emergência em casos de alergias graves.
Os textos também incentivam parcerias entre hospitais, unidades de saúde, instituições de ensino e entidades da sociedade civil para fortalecer a prevenção e o atendimento no estado.
Outro ponto central é o incentivo à ampliação do acesso à adrenalina autoinjetável, considerada essencial no tratamento de crises de anafilaxia. Atualmente, o medicamento ainda enfrenta barreiras relacionadas ao alto custo e à dificuldade de acesso no Brasil.
Além disso, as medidas reforçam a importância da capacitação da população para reconhecer rapidamente situações de emergência e agir de forma correta até a chegada do atendimento médico.