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Construída entre 1957 e 1960 do nada em 41 meses, essa capital brasileira virou monumento internacional antes dos 30 anos

Pouco mais de três anos foram suficientes para criar a capital brasileira que conquistou o mundo.

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Brasília combina uma coisa rara: é jovem, é monumento e ainda é sede de governo, tudo ao mesmo tempo. / Imagem ilustrativa

Nenhuma outra capital do mundo nasceu tão rápido, tão longe do litoral e tão perto de uma folha em branco. Brasília foi projetada, erguida e inaugurada em pouco mais de três anos, no meio do cerrado, e virou monumento internacional antes de completar três décadas de vida.

A cidade mais nova a virar Patrimônio da Humanidade

Em 7 de dezembro de 1987, quando tinha apenas 27 anos de fundação, Brasília entrou na lista de Patrimônios Culturais da Humanidade da UNESCO. Foi o primeiro conjunto urbano do século XX a receber o título, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Até então, apenas monumentos centenários integravam a lista. A capital brasileira passou a figurar no mesmo grupo da Muralha da China, das pirâmides do Egito e da Acrópole de Atenas. Coincidência simbólica: a milenar muralha chinesa entrou para o mesmo rol no mesmo ano.

Brasília é a cidade que merece a sua visita e você precisa saber o motivo
Brasília – Créditos: depositphotos.com / rmnunes

112 km² sob proteção: a maior área tombada do planeta

O tombamento cobre uma área impressionante. Segundo o Ministério do Turismo, o perímetro protegido tem 112,25 km², o maior conjunto urbano sob proteção histórica do mundo.

Para dimensionar: é como se toda a cidade de Curitiba central ou boa parte da Ilha de Manhattan, em Nova York, estivessem congeladas por lei. Cada superquadra, cada prédio e cada vazio calculado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer entra na conta.

Uma cidade construída em pouco mais de três anos

A capital foi concebida, projetada e construída entre 1957 e 1960, e inaugurada em 21 de abril de 1960. O prazo é o dado mais desafiador da história. UNESCO registra a expressão exata: a cidade foi criada ex nihilo, ou seja, do nada, no centro do país.

O plano piloto de Lúcio Costa venceu o concurso da Novacap em 16 de março de 1957, alguns dias após ser entregue à banca. Do papel ao asfalto foram cerca de 41 meses. O arquiteto era um dos últimos inscritos, entregou o memorial escrito e desenhado à mão, e mesmo assim recebeu voto unânime.

O avião que era, na verdade, uma cruz

A silhueta aérea de Brasília virou clichê visual do país. Mas Costa não desenhou um avião. O Plano Piloto nasceu como duas linhas retas cruzadas em ângulo reto, gesto que o urbanista descreveu como o ato primário de assinalar um lugar no mapa.

O eixo curvado apenas para se adaptar ao relevo do Planalto Central deu à cruz uma silhueta que lembra uma aeronave. Quando o compararam a um avião, o próprio Lúcio Costa devolveu, em entrevista, que a capital estava mais para uma borboleta. O termo Asa Sul e Asa Norte vem de ala, palavra corrente na construção civil, não de aeronáutica.

O palácio de tábuas erguido em dez dias

Antes do concreto dos palácios, veio a madeira. O Catetinho, projetado por Oscar Niemeyer, foi construído em apenas dez dias em novembro de 1956, no alto da Fazenda Gama. A obra, financiada por dez amigos de Juscelino Kubitschek, virou a primeira residência oficial de um presidente da República no Planalto Central.

De acordo com o site oficial do Governo do Distrito Federal, o prédio simples de dois andares é a única edificação inteiramente em madeira projetada por Niemeyer. Ficou conhecido como Palácio de Tábuas e, em 10 de novembro de 1959, tornou-se o primeiro patrimônio do DF tombado pelo IPHAN, ainda antes da inauguração da capital.

Brasília – Créditos: depositphotos.com / rmnunes

Curvas que viraram assinatura de um país

Se Costa desenhou o mapa, Niemeyer moldou os símbolos. O Congresso Nacional, com suas cúpulas invertidas, a Catedral Metropolitana, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto e o Palácio Itamaraty saíram do traço de um único arquiteto.

O Itamaraty tem uma marca menos conhecida: seu salão principal é considerado o maior hall sem colunas da América Latina, com cerca de 2,8 mil m² de área livre e paisagismo assinado por Roberto Burle Marx. Ali dentro, painéis de Athos Bulcão conversam com esculturas que virariam moeda visual da diplomacia brasileira.

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Uma capital que ainda surpreende

Brasília combina uma coisa rara: é jovem, é monumento e ainda é sede de governo, tudo ao mesmo tempo. Poucos lugares do mundo permitem caminhar pela rotina política de um país inteiro dentro de um perímetro tombado.

Você precisa conhecer Brasília e caminhar por essa cidade que virou museu antes de virar adulta.