Esportes
Cristiano Ronaldo é suspenso por Portugal após atrito com Jorge Jesus
Afastado preventivamente após deixar a concentração, capitão expõe bastidores com Jorge Jesus e projeta retorno triunfal para defender o país
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) determinou a suspensão preventiva de Cristiano Ronaldo neste sábado (10/10). A decisão ocorreu após o atacante de 41 anos deixar a concentração da equipe antes da partida contra a Dinamarca, pela Liga das Nações.
O afastamento decorre de um atrito público com o técnico Jorge Jesus. A entidade abriu um processo disciplinar urgente, conduzido em sigilo pela Comissão de Instrução Disciplinar. O atleta corre o risco de cumprir uma suspensão que varia de um a seis meses.
Origem do conflito
O desentendimento começou na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega. Na ocasião, o treinador solicitou que o capitão aquecesse para atuar por meia hora, contrariando o planejamento físico inicial. O jogador permaneceu no trabalho de aquecimento durante quase todo o segundo tempo, mas não entrou na partida.
Com o apito final, o camisa 7 deixou o gramado sem saudar o público. Em carta aberta publicada em 6 de outubro, o atleta admitiu o erro: “uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido”.
Quebra de acordo interno
Após o episódio, o jogador se reuniu com Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor do Al Nassr. O grupo alinhou que o comandante assumiria publicamente a responsabilidade pelo ocorrido na entrevista coletiva seguinte, baseado em um documento interno de oito pontos.
A lista de esclarecimentos combinada para a imprensa determinava que:
o planejamento de poupar o atleta partiu exclusivamente da comissão técnica;
o capitão aceitou a condição e manteve conduta leal;
a partida contra a Noruega estava fora do cronograma inicial do veterano;
a comissão errou ao enviar o atacante para aquecer sem utilizá-lo;
a ausência de saudações aos torcedores foi uma reação pontual de frustração.
O treinador não cumpriu o combinado diante dos jornalistas e adotou uma postura autoritária. O jogador decidiu então deixar o hotel da seleção: “decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra”.
Posicionamento e retorno
O atacante pediu desculpas aos companheiros de time pela deserção. O jogador defendeu que sua atitude exige punição severa da federação, sem atenuantes por sua liderança, e rejeitou a ideia de disputar partidas comemorativas para encerrar seu ciclo internacional.
Disposto a voltar à seleção de forma competitiva, o atleta relembrou que permaneceu na equipe no passado mesmo após ser informado sobre a morte de seu pai: “a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje”.