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Em 1972, um astronauta quebrou o para-lama do carro na Lua, e os engenheiros em Houston acharam a solução num objeto feito para outra coisa

Após um acidente quebrar o para-lama do rover, astronautas da Apollo 17 usaram fita e mapas de papel para evitar o superaquecimento dos trajes

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Para-lama improvisado do rover lunar, feito com mapas e fita, sobre a roda de malha
A engenhosa solução de reparo no para-lama do rover lunar da Apollo 17, utilizando mapas, garantindo o sucesso da missão. Foto: Reprodução / National Air and Space Museum

Em dezembro de 1972, um descuido com um martelo quase comprometeu a Apollo 17, a última missão humana à Lua. Durante a operação, o astronauta Eugene Cernan prendeu o para-lama traseiro direito do rover no martelo preso à sua roupa espacial. O impacto soltou a peça, que caiu no solo e deixou a roda sem proteção.

Sem essa barreira, a movimentação do veículo levantava uma densa nuvem de poeira lunar, chamada pelos astronautas de “cauda de galo”. O material se depositava sobre a fuselagem e os trajes espaciais, gerando riscos imediatos para a integridade da expedição.

ResumoSuper Rádio Tupi

O conserto improvisado na Lua

Eugene Cernan quebrou o para-lama do rover lunar com um martelo durante a missão Apollo 17, em dezembro de 1972.

A roda desprotegida levantava poeira que grudava nos trajes e ameaçava superaquecer os instrumentos da missão.

Engenheiros da NASA em Houston bolaram uma peça com quatro mapas lunares, fita adesiva e duas pinças.

A gambiarra funcionou, permitiu concluir as três saídas na Lua e os mapas usados estão hoje em um museu.

A poeira lunar é escura, absorve calor com facilidade e pode provocar o superaquecimento dos equipamentos. Suas partículas finas e carregadas de eletricidade estática aderem a quase qualquer superfície. Cernan tentou fixar a peça original com fita adesiva cinza, mas o pó impediu a aderência da cola e a proteção caiu novamente, acumulando sujeira no painel.

O reparo com mapas lunares

Enquanto os tripulantes dormiam, engenheiros em Houston liderados por John Young criaram uma alternativa. O grupo desenvolveu uma estrutura substituta utilizando suprimentos que já estavam no interior do módulo lunar:

  • quatro mapas lunares para reproduzir o formato do para-lama;

  • fita adesiva para unir as folhas de papel;

  • duas presilhas retiradas do telescópio de mira do rover.

A equipe transmitiu as instruções por rádio. Ao acordarem, Eugene Cernan e Harrison Schmitt montaram a peça improvisada, que resistiu até o encerramento dos trabalhos na superfície da Lua.

A proteção impediu o espalhamento dos detritos e garantiu que os aparelhos operassem em temperaturas adequadas. Graças à barreira, a Apollo 17 realizou três caminhadas lunares e recolheu uma coleção significativa de rochas. Sem as cartas de papel, os trajes brancos teriam escurecido em poucas horas, inviabilizando a permanência dos astronautas.

Os mapas utilizados no conserto retornaram à Terra e estão expostos no Museu Nacional do Ar e do Espaço, em Washington. O episódio comprovou a eficiência de soluções criativas a mais de 380 mil quilômetros de distância de uma oficina. Já os veículos desenvolvidos para o programa Artemis receberão para-lamas projetados para suportar o desgaste da poeira lunar.