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Em Cima da Hora traz enredo sobre pombagiras para desfile da série ouro
“Salve Todas as Marias Laroyê Pombagira” é o enredo da Em Cima da Hora para o Carnaval de 2026.
No desfile, será retratada a história, o significado e o simbolismo dessas figuras, destacando a personificação do sagrado feminino ancestral como uma força espiritual, que atravessa o tempo e os corpos.
A intenção é retratar a figura da pombagira como a soma de muitas experiências femininas, marcadas pela liberdade, pela resistência e pelo mistério.
De origem nas matrizes africanas, ligadas às ruas e encruzilhadas, a Pombagira surge como dona desses territórios, que age tanto na proteção quanto no enfrentamento, sempre guiada pela consciência de quem é. Ao longo da história, foi associada a diferentes figuras marginalizadas, como bruxas, curandeiras, e outras mulheres consideradas perigosas.
No Brasil, especialmente nas macumbas cariocas e na umbanda, a pombagira se firma como entidade popular que atua levando orientação, proteção e justiça àqueles que recorrem à sua força com fé e respeito.
Fundada em 1959, a Em Cima da Hora tem em seu pavilhão as cores azul, pavão e branco, e traz como símbolos o relógio e a lira. No comando da escola estão o carnavalesco Rodrigo Almeida, os intérpretes Igor Pitta e Carlos Júnior e o mestre Léo Capoeira, à frente da bateria Sinfonia de Cavalcanti.
Almeida, que está à frente do Carnaval da Agremiação pelo terceiro ano seguido, contou que pretende levar uma mensagem de liberdade, de se acreditar em quem quiser, ser feliz, respeito à fé alheia e principalmente as mulheres.
“Mulher não nasceu para ser maltratada, mulher não nasceu para ser vilipendiada, mulher nasceu para ser livre. Tenha autonomia que permitam que elas liberem seus corpos, mostrem sua inteligência, amem e façam o que quiserem. Nosso enredo deixa essa reflexão. Seja quem quiser, seja a fé que quiser e seja você.” – declarou o carnavalesco
Rodrigo explicou ainda os caminhos que pretende percorrer narrativamente, destacando os recursos visuais que ajudam a contar essa história.
“Principalmente as alegorias, elas vão refletir bem todo esse imaginário, esse magnético relacionado a essas entidades, a esses espíritos. Vamos olhar o Abre Alas simbolizando esse castelo, essa chegada de Maria Padilha na Sapucaí. Temos no segundo carro a ideia da feitiçaria, da quimbanda e no terceiro carro esse grito contra a intolerância religiosa, esse apelo que nós fazemos para que cada um respeite o seu direito de existir e acreditar em quem se quiser.” – disse Almeida
A proposta do carnavalesco é falar de mulheres fortes que amaram, governaram e exerceram seu poder, ajudando a desmistificar o estigma negativo que ainda cerca a figura das pombagiras.
A Em cima da hora será a segunda escola da série Ouro a desfilar no sábado de carnaval, no dia 14 de fevereiro