Brasil
Escalada no Oriente Médio acende alerta no Brasil e pressiona economia global
Governo brasileiro critica ataques ao Irã, emite alerta consular e especialistas analisam impactos diplomáticos e comerciais
O governo brasileiro manifestou profunda preocupação com a escalada de hostilidades no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no último sábado. Segundo a organização humanitária Crescente Vermelho, a ofensiva deixou 555 mortos. Em nota, o Brasil classificou a ação como uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais.
A advogada especialista em Direito Internacional, Adriana Girardelli, explicou que o conflito tem como pano de fundo o programa nuclear iraniano.
“Esse ataque ocorreu após semanas de negociações tensas e pressão dos Estados Unidos para que o Irã encerre o programa nuclear, que é o centro desse confronto. É uma disputa antiga. Trump já disse que esse ataque é para proteger o povo americano de ameaças, e o Irã nega possuir essa bomba nuclear”.
Para o professor de Relações Internacionais do IBMEC-RJ, José Niemeyer, a posição adotada pelo governo brasileiro é coerente.
“O posicionamento do Brasil é um posicionamento adequado. Como chefe de Estado, o presidente Lula e o Itamaraty têm que criticar a ação de Estados Unidos e Israel contra um Estado soberano independente como é o caso do Irã”.
Alerta para brasileiros na região
O Ministério das Relações Exteriores emitiu um alerta consular recomendando que brasileiros evitem viagens ao Irã e a Israel, além de Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria. Para quem já está nesses países, a orientação é acompanhar as comunicações oficiais das embaixadas, do Itamaraty e da imprensa local.
A embaixada do Brasil em Teerã também disponibilizou atendimento emergencial pelo telefone 98 0912 148 5200.
Petróleo dispara e comércio pode ser afetado
O conflito também provocou forte reação no mercado financeiro. O barril do petróleo tipo Brent opera com alta superior a 6%, cotado a 79 dólares. No dia seguinte aos ataques, a commodity chegou a subir mais de 12% na abertura do mercado. O Irã é atualmente o nono maior produtor de petróleo do mundo, com mais de 2 milhões de barris produzidos por dia.
Segundo José Niemeyer, o impacto pode atingir diretamente o comércio brasileiro.
“As relações do Brasil com o Irã continuam. O Brasil é um exportador importante de produtos do agronegócio. O problema é que, com esta guerra, esse comércio vai diminuir. O Brasil terá dificuldade de colocar os seus produtos no Irã porque é uma guerra física, que envolve também a administração do território iraniano e dos países vizinhos. Então, o comércio entre Brasil e Irã deve ser interrompido durante este conflito”.
O professor acrescenta que as relações com os Estados Unidos estão normalizadas após tensões tarifárias recentes e que o comércio com Israel, embora menos expressivo, também pode sofrer obstáculos. Ainda assim, ele avalia que o posicionamento diplomático brasileiro não deve comprometer as relações do país com Washington ou Teerã.