Brasil

Fiocruz realiza estudo que analisa condições de assistência de trabalhadores da Saúde Indígena

“Os Trabalhadores da Saúde Indígena: Condições de Trabalho e Saúde Mental no Contexto da Covid-19 no Brasil”, será um questionário inédito que revelará o perfil sociodemográfico, a jornada de trabalho, as condições e o nível de proteção durante o exercício de sua atividade

Por Redação Tupi

imagem prédio da FioCruz
Fiocruz (Foto: Agência Brasil)

A Fiocruz informou nesta quinta-feira (2), que investigará as transformações provocadas pela pandemia de Covid-19 nas condições de trabalho e saúde mental de um contingente de aproximadamente 20 mil trabalhadores que atuam na assistência à Saúde Indígena de todo território brasileiro. A instituição lança nesta quinta-feira (2), a pesquisa “Os Trabalhadores da Saúde Indígena: Condições de Trabalho e Saúde Mental no Contexto da Covid-19 no Brasil”, um questionário inédito que revelará o perfil sociodemográfico, a jornada de trabalho, as condições e o nível de proteção durante o exercício de sua atividade, além das alterações provocadas pela pandemia na vida pessoal e profissional desses trabalhadores que prestam assistência aos povos indígenas.

O atual estudo coordenado pela pesquisadora Maria Helena Machado, da Fiocruz, é um desdobramento da pesquisa Condições de Trabalho dos profissionais de saúde no contexto da Covid-19 no Brasil, que analisou a realidade de vida e trabalho dos profissionais da equipe de saúde que atuam em todo o país na linha de frente da pandemia e revelou um cenário de exaustão, falta de proteção e diversos danos na saúde mental dos profissionais de saúde.

As pesquisas, juntamente com outro estudo que também avaliou as Condições de Trabalho dos Trabalhadores Invisíveis no combate à Pandemia, formam uma tríade que contempla todo o universo dos trabalhadores que atuam na pandemia.

“Vivemos momentos críticos na assistência à saúde em geral e, de forma ainda mais acentuada e inaceitável, de colapso na assistência à saúde indígena. A pandemia explicita essa situação grave; e isso nos preocupa. Com essa pesquisa, esperamos conhecer, de fato, a situação e condições de trabalho e saúde mental de todos os trabalhadores que atuam e atuaram no combate à Covid-19 no nosso país, permitindo não só o conhecimento, mas a formulação de políticas públicas que protejam e possibilitem melhores condições de vida e trabalho a esse contingente tão essencial”, afirmou Maria Helena.

O estudo reconhece a importância da autonomia, bem como as tradições e a diversidade étnica e cultural dos povos originários do país. Dessa forma, dentre os 20 mil trabalhadores que atuam na assistência à Saúde Indígena, o questionário contempla mais de 20 categorias profissionais e incorporou pajés, Agentes Indígena de Saúde (AIS) e Agentes Indígena de Saneamento (Aisan), condutores de ambulância, ambulancha, motolancha, barqueiro e pilotos de aeronaves, além dos médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros trabalhadores.

“Levantar as condições de trabalho e mensurar a dificuldade de incluir esses trabalhadores nas políticas públicas é extremamente importante, principalmente por serem profissionais que cuidam de uma população vulnerável a epidemias pelas condições sociais, econômicas e de saúde. Os trabalhadores e profissionais da saúde indígena atuam em áreas de muito difícil acesso, sob condições de trabalho extremas, passam horas ou dias dentro de embarcações para fazer a saúde acontecer dentro dos territórios indígenas. Lá, permanecem por um longo período sem energia elétrica e comunicação. Assim é feita a saúde indígena. A pesquisa nos possibilitará reconhecer o importante papel desse trabalhador”, afirmou Carmem Pankararu, presidente do Sindicato dos Profissionais e Trabalhadores da Saúde Indígena (Sindicopsi).

O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena possui 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) espalhados pelo país. O advento da Covid-19 traz uma série de desafios para a população indígena. Trata-se de um grupo particularmente vulnerável à Covid-19 devido às elevadas prevalências de diferentes doenças e agravos à saúde (desnutrição e anemia em crianças, doenças infecciosas como malária, tuberculose, hepatite B, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças renais) e as dificuldades de acesso ao sistema de saúde, particularmente da atenção especializada. Além disso, os indígenas sofrem com a exploração ilegal do território pelo garimpo, o aumento das queimadas e do desmatamento, o baixo saneamento e, em muitas situações, enfrentam uma enorme fragilidade econômica.

Fabio Titiah, vice-cacique do povo Pataxó Hãhãhãe, falou sobre a expectativa do povo indígena. “Desejamos que a pesquisa ofereça uma informação cientifica de qualidade. A pesquisa vai mostrar também as dificuldades enfrentadas pelo agente de saúde, o Aisan, dos técnicos, dos médicos, ou seja, todos os profissionais serão pesquisados. Teremos um grande acervo de informações que servirá para orientar o próprio sistema de saúde”, disse ele que é auxiliar de saúde bucal.

Swedenberger Barbosa, pesquisador da Fiocruz Brasília e coordenador adjunto da pesquisa, afirma ainda que o objetivo é contribuir para a garantia de direitos e cidadania aos povos indígenas, em especial para sua saúde e dos trabalhadores que os assistem.



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