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Freiras investem cerca de R$ 54 milhões em usina solar para socorrer asilos em apagões e baratear a conta de luz de 350 famílias
Projeto histórico de religiosas gera energia limpa contra apagões: iniciativa oferece desconto de 25% na conta de luz para famílias carentes
A congregação católica afro-americana Irmãs da Sagrada Família, fundada em 1842, constrói duas centrais de energia solar no leste de Nova Orleans, nos Estados Unidos. O projeto busca garantir autonomia energética durante desastres climáticos e conceder descontos na conta de luz para moradores de baixa renda.
As obras abrangem a criação de uma estrutura de suporte em seu centro cívico e a montagem de um parque solar de 22 acres na Dwyer Road. O espaço ocupa 89 mil metros quadrados, dimensão comparável a 12 campos de futebol.
Autonomia após o furacão Ida
A iniciativa surgiu após os estragos causados pelo furacão Ida, em 2021. Naquele período, o leste do município passou por dez dias seguidos de apagão e demorou mais tempo para recuperar o serviço, provocando mortes de idosos e pessoas doentes que dependiam de aparelhos hospitalares.
Para enfrentar a falta de serviços básicos, a coalizão Together New Orleans, formada por 54 congregações e organizações comunitárias, passou a erguer microrredes independentes. Conforme a publicação “Mother Jones”, o investimento soma cerca de US$ 10 milhões, quantia equivalente a R$ 54 milhões obtida com bancos verdes.
O centro comunitário da ordem passou a funcionar como o décimo segundo polo de resiliência da cidade, sob o nome de Faro Comunitário. O local conta com 86 módulos solares e baterias de apoio que geram 66 mil quilowatts-hora por ano de modo autônomo.
A geração atende refeitórios sociais, mantém aparelhos de oxigênio ligados e abastece o asilo Lafon Nursing Home. A superiora da congregação, irmã Alicia Costa, ressaltou o valor da instalação ao afirmar que “a energia acaba com frequência por aqui. Ter um pouco de luz e manter essas máquinas funcionando é realmente importante para nós”.
Energia comunitária e inclusão no trabalho
O segundo empreendimento adota o formato solar comunitário para atender 350 famílias vizinhas. Os moradores não precisam adquirir equipamentos nem ser donos de imóveis, bastando se cadastrar para ter acesso à produção da Dwyer Road.
O modelo garante abatimento de 25% na fatura emitida pela distribuidora Entergy. Em uma localidade de menor poder financeiro e com verões que aumentam a demanda por ar-condicionado, a redução gera economia de centenas de dólares por ano para cada residência.
Jovens da região executam a montagem dos painéis por meio de capacitação técnica remunerada, viabilizada pela Louisiana Green Corps com a Irmandade Internacional de Trabalhadores Elétricos. O treinamento profissionalizante não cobra mensalidades dos alunos.
De acordo com dados de Ryan Mattingly, diretor executivo da Louisiana Green Corps, a indústria solar local reúne seis vezes mais trabalhadores brancos do que negros. O índice contrasta com o crescimento setorial de 10% ao ano e com o aporte de US$ 5 milhões, perto de R$ 27 milhões, da Lei de Redução da Inflação.