Rio
Governo do Estado assume operação das barcas e promete melhorias na climatização
Novo modelo de gestão prevê investimentos na frota, reajuste tarifário e estudos para instalação de ar-condicionado até o fim do ano
O sistema de barcas do Rio de Janeiro passou por mudanças recentes na operação e no modelo de gestão, deixando de ser uma concessão tradicional e passando a ser operado pelo próprio governo do Estado, por meio do consórcio Rio Barcas, responsável pela frota e pela execução do transporte aquaviário.
O contrato de operação teve início em janeiro do ano passado e se estende até dezembro de 2029, podendo ser prorrogado por mais cinco anos.
A frota das barcas é composta por 17 embarcações e transporta mais de 47 mil passageiros diariamente, principalmente nas linhas que ligam à Estação Arariboia, em Niterói, à Praça XV, no centro do Rio, além das travessias que atendem à Estação Cocotá, na Ilha do Governador.
Essas três estações concentram grande parte do fluxo de usuários que dependem do transporte aquaviário para deslocamentos diários entre casa e trabalho.
Em pronunciamento, no mês passado, a secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, explicou os desafios da nova concessão, principalmente em relação ao calor enfrentado pelos passageiros dentro das barcas.
“Foram 71 climatizadores em estações e em embarcações. E o próximo passo agora é a gente colocar o ar condicionado nelas, mas aí para isso a gente está fazendo os estudos e também as contratações, a gente está há pouco menos de um ano aí nessa operação.” – destacou Priscila, que destacou o grupo de trabalho que está finalizando a análise do estado das embarcações e estações.
Desde o dia 08/02, a tarifa das barcas foi reajustada de R$ 4,70 para R$ 5,00, com o valor seguindo sendo subsidiado pelo poder público apesar do aumento.
Já a tarifa de Charitas permanece em 7,70, graças a meio de um termo de cooperação entre as prefeituras do Rio e de Niterói.
A Secretaria Estadual de Transporte informou que toda a frota passa por manutenção contínua e que novos aparelhos de ar condicionado devem ser instalados até o fim do ano.
A pasta também destacou que o valor da tarifa é equivalente ao cobrado em outros modais de transporte do Estado.
No entanto, de acordo com relatos dos passageiros, o aumento da passagem não se refletiu em melhorias perceptíveis no serviço, com as principais reclamações sendo atrasos nas viagens, superlotação e falhas operacionais frequentes.
Um dos entrevistados que conversou com a Super Rádio Tupi, Carlos Eduardo alegou que muitas das barcas, além de não serem novas, não possuem ar-condicionado.
“Vai muita gente em pé, muito calor, tem muito atraso. Nesse horário entre 6h30 e 10h, os intervalos deveriam ser de 15 minutos, mas todo dia a barca avisa que os intervalos são de 19 minutos, mas acaba sendo maior que 19 minutos, demora bastante a barca sair.” – contou Carlos, descrevendo que embora algumas barcas tenham melhorado, não é incomum observar nas barcas passageiros que viajam com janelas abertas, se abanando com leques e reclamando da sensação térmica dentro da embarcação.
Na Estação Arariboia, em Niterói, usuários que seguem diariamente para a Praça XV relatam desconforto durante as travessias, especialmente em dias de calor intenso.
Na Estação Cocotá, na Ilha do Governador, passageiros também apontam intervalos irregulares e dificuldades no embarque em horários de pico.
Já na Praça 15, principal ponto de chegada no centro do Rio, o grande volume de usuários evidencia a dependência do sistema, que segue sendo uma das principais alternativas de mobilidade entre Niterói, Ilha do Governador e a capital fluminense.
Usuários das barcas afirmam que mesmo que o subsídio público mantenha a tarifa mais acessível, na prática o custo é absorvido pelo próprio cidadão por meio dos investimentos públicos.
Passageiros afirmam que esperam que os recursos aplicados na operação resultem em melhorias efetivas na qualidade do serviço, na modernização da frota e no conforto das viagens diárias.
Pelos próximos cinco anos de operação, o consórcio receberá cerca de R$ 1,9 bilhão dentro do novo modelo de remuneração, baseado nas milhas náuticas percorridas, e não apenas na quantidade de passageiros transportados.