Rio
Grupo que agrediu capivara na Ilha do Governador pode fazer parte de rede de agressões a animais
Os seis adultos já passaram por audiência de custódia, enquanto os menores estão internados
Policiais civis da delegacia da Ilha do Governador estão investigando se os oito envolvidos nas agressões a uma capivara no último sábado, no Jardim Guanabara, costumavam participar de rituais de crueldades contra animais exibidos na internet.
Em depoimento, eles contaram que pretendiam matar a capivara e consumir a carne. Os seis adultos já passaram por audiência de custódia, enquanto os menores estão internados.
São eles: Matheus Henrique Teodosio, Wagner da Silva Bernardo, Paulo Henrique Souza Santana, Isaías Melquiades Barros da Silva, Pedro Eduardo Rodrigues e José Renato Beserra da Silva, todos moradores do bairro Guarabu, também na Ilha do Governador.
O delegado Felipe Santoro fala sobre as investigações.
“Uma das testemunhas afirmou que os suspeitos gravavam e se divertiam enquanto praticavam crueldade contra o animal. Há ainda outra hipótese, levantada posteriormente, de que esse tipo de ação já seria recorrente. Um dos envolvidos foi reconhecido por ter agredido e ferido outra capivara na semana passada. A testemunha também compareceu à delegacia e identificou esse indivíduo, relatando que chegou a ser agredida ao tentar impedir a violência contra outro animal, também na Ilha do Governador”.
Os dois menores apreendidos, seguem internados em uma unidade do Degase. Moradores do Jardim Guanabara estão revoltados com o caso.
A capivara apresentou melhora neste domingo, mas o estado dela ainda é grave. O veterinário do CRAS de Vargem Pequena, Jeferson Pires, explica o estado de saúde do animal.
“Ela chegou apresentando um quadro sugestivo de traumatismo craniano, com sangramento nasal e um movimento ocular conhecido como nistagmo — caracterizado por oscilações rítmicas dos olhos —, o que indica possível lesão cerebral. Também havia comprometimento ocular, com presença de sangue no interior do olho, além de lacerações no dorso, configurando um estado geral grave. Além do trauma neurológico, o esforço físico intenso durante a fuga pode ter contribuído para o quadro clínico. Houve melhora parcial: o nistagmo diminuiu, embora não tenha desaparecido completamente, e o animal se encontra estável no momento. Não é possível descartar, neste estágio, a possibilidade de evolução do quadro, inclusive com comprometimento da órbita ocular”.
Mesmo assim, o veterinário ressalta que o animal ainda requer muito cuidado, e ainda há possibilidade de óbito.
A Comissão de Defesa dos Animais, da Câmara Municipal do Rio, informou, por meio de nota, que acompanha as investigações da Polícia Civil e também o tratamento do animal, no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá.
A Comissão também acionou a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.