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Itamaraty vê agravamento inédito da crise entre Brasil e Argentina
Diplomatas afirmaram ao Correio que consultas a embaixador não têm precedente bilateralO governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina para consultas após as declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada nesse fim de semana, em São Paulo. No Itamaraty, a avaliação é de que o episódio representa uma escalada sem precedentes da crise diplomática entre os dois países.
Questionada pelo Correio se a subida de tom de Milei agravaria a relação bilateral, uma fonte do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores foi categórica: “Já agravou”. Segundo o diplomata, a convocação do embaixador brasileiro na Argentina para consultas não tem precedentes na história da relação bilateral entre os dois países.
A convocação do chefe da missão diplomática brasileira para consultas, que devem ser feitas ainda hoje, é um dos instrumentos mais “duros” da prática diplomática antes de medidas mais severas. Embora não represente o rompimento das relações bilaterais, o gesto sinaliza, de acordo com um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Planalto, uma forte insatisfação do governo brasileiro com a postura adotada pela administração de Milei.
No Itamaraty, a percepção é de que a medida reflete o aprofundamento do desgaste entre Brasília e Buenos Aires em um momento de sucessivos ataques do presidente argentino ao governo Lula, ao mesmo tempo em que faz acenos ao senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro — preso por tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023. A avaliação entre diplomatas é que a decisão marca um ponto de inflexão na relação entre os dois principais sócios do Mercosul.
Ilações
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o Brasil nesse domingo (26), ao acusar, sem apresentar provas, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) financiaria uma suposta “campanha anti-argentina”.
As declarações ocorreram um dia após o ultraliberal chamar o petista de “presidiário” durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, e aprofundar a crise diplomática entre os dois países.