Brasil
Lula afirma que tarifa dos EUA abriu novas oportunidades comerciais
O presidente usou o ditado popular de que "há males que vêm para o bem" para defender que o Brasil tem conseguido transformar adversidades em oportunidades
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (22/7) que a crise provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros pode acabar fortalecendo a economia nacional. Durante a apresentação da nova etapa do Plano Brasil Soberano, no Palácio do Planalto, o petista recorreu ao ditado popular de que “há males que vêm para o bem” para defender que o Brasil tem conseguido transformar adversidades em oportunidades.
Segundo Lula, momentos de crise costumam levar a sociedade a encontrar novos caminhos e sair fortalecida, citando exemplos nas áreas da saúde e da economia. “Há males que vêm para o bem. Toda vez que aparece uma crise, seja no campo da política, da economia ou da saúde, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte”, afirmou.
O presidente lembrou que, após a pandemia da covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) ganhou maior reconhecimento no país. Na economia, disse que o governo tem buscado respostas para os desafios externos por meio da ampliação de mercados e do fortalecimento das exportações.
Trajetória de crescimento
Para Lula, o lançamento do Brasil Soberano III demonstra que a atual conjuntura internacional não impedirá o país de manter sua trajetória de crescimento. O presidente destacou que o Brasil deverá encerrar o mandato com crescimento médio próximo de 3% ao ano, além de registrar aumento nas exportações e na arrecadação. “Quando tem uma crise, ao invés de a gente ficar chorando a crise, temos que tentar encontrar saídas”, declarou.
Ao comentar a decisão do governo norte-americano de impor novas tarifas aos produtos brasileiros, Lula criticou a medida e afirmou que a reação internacional tem sido a busca por novas parcerias comerciais.
“Ninguém imaginava que uma decisão abrupta do governo norte-americano, sem comunicar ninguém e sem conversar com ninguém, faria o mundo morrer. O que está acontecendo é que as pessoas estão aprendendo a se mexer”, disse.
Segundo o presidente, o atual cenário tem levado países e empresas a diversificarem suas relações econômicas, ampliando o diálogo com novos parceiros e mercados. “As pessoas estão aprendendo a conversar com outras pessoas, estão aprendendo que existem outras moedas, outros mercados, outras pessoas com vontade de comprar e outras pessoas com vontade de vender”, afirmou.
Lula também citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como um dos resultados indiretos desse novo contexto internacional. Segundo ele, a conclusão das negociações, aguardada há mais de duas décadas, foi impulsionada pela necessidade de defesa do multilateralismo.
“Há 25 anos a gente esperava um acordo Mercosul-União Europeia. E ele saiu porque tanto a União Europeia quanto o Mercosul precisavam dar um exemplo àqueles que são contra o multilateralismo”, declarou.
Para o presidente, o Brasil tem condições de sair fortalecido do atual cenário internacional, ampliando sua inserção comercial e consolidando novas oportunidades para a economia brasileira. “A gente não vai ficar lamentando o fato de alguém querer nos prejudicar com taxação”, concluiu.