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Mais do que adornos, a União de Maricá destaca os balangandãs como símbolos de resistência, beleza e riqueza negra no carnaval de 2026
Enredo assinado por Leandro Vieira evidencia as joias como memória, poder feminino e instrumento de liberdade das mulheres negras no Brasil colonial
A União de Maricá aposta nos balangandãs como símbolos de resistência, memória e poder feminino no carnaval de 2026. Mais do que adornos, as joias que dão nome ao enredo “Berenguendéns e Balangandãs” aparecem como documentos históricos da experiência das mulheres negras no Brasil colonial.
Carnavalesco da escola, Leandro Vieira destaca que o balangandã foi, durante muito tempo, reduzido à ideia de objeto decorativo.
“O balangandã aponta para uma história de resistência de mulheres que subverteram a lógica tradicional que associa os corpos negros e retintos apenas à miséria e ao sofrimento”, afirma.
Segundo o carnavalesco, essas joias funcionavam como uma espécie de cofre carregado junto ao corpo, permitindo o acúmulo de recursos e, em alguns casos, a compra da própria liberdade. O desfile também evidencia os significados espirituais e identitários dos balangandãs, com referências a orixás, símbolos africanos e saberes da metalurgia.
Nas alas e alegorias, a escola constrói imagens que exaltam o corpo da mulher preta como vitrine de luxo, poder e autonomia.
“O desfile também mostra uma construção do corpo feminino preto como vitrine de ostentação e beleza, quase como um tributo à beleza que essas mulheres construíram no próprio corpo, resultando em uma imagem política, de mulheres empoderadas”, explica Leandro.
O samba-enredo reforça essa proposta ao ressignificar expressões e imaginários, exaltando a intelectualidade e a ancestralidade negras. Para Leandro, a canção vai além da narrativa histórica.
“O samba toma partido dessa ressignificação e ajuda a subverter uma lógica racista ainda muito presente na sociedade brasileira, com o verso, por exemplo, ‘claro, tinha que ser preto’”.
A União de Maricá promete levar à Sapucaí um desfile marcado por ouro, identidade e transgressão, celebrando mulheres que fizeram da joia um instrumento de sobrevivência e liberdade.