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Mário Neto critica projeto para a mudança de nome do Maracanã: ‘É capaz de acharem que Mário Filho é sanduíche’

Neto do jornalista critica postura da Alerj e afirma que história do avô não é conhecida pelos deputados

Por Vitor Rocha

Foto: Divulgação/Maracanã

Quase 55 anos de história. Esse é o tempo que o Estádio do Maracanã se chama Jornalista Mário Filho. A homenagem, dada em 1966, ainda pode ser preterida em função de um novo nome: Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé. O projeto, aprovado no último dia nove deste mês pela Alerj, está nas mãos do Governador em exercício Cláudio Castro para ser sancionado.

De autoria do deputado André Ceciliano (PT), o projeto 3.489/21 recebeu o aval de grande parte dos votantes na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Por mais que a história de Mário Filho ainda seja pouco conhecida, cidadãos cariocas e fluminenses, além do público de outros estados se manifestaram contrários nas redes sociais e levantaram a #vetagovernador, sendo um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Com exclusividade, a Super Rádio Tupi conversou com Mário Neto, neto de Mário Filho, que, abertamente, se mostrou surpreso ao acreditar que, num momento de pandemia, a Alerj tenha se reunido para votar um projeto desse tipo sem pouco conhecer a história e a importância do seu avô.

“Eu não posso entender como, num momento de pandemia, parece até que o Rio de Janeiro está nadando em dinheiro, cheio de hospitais, trânsito muito bem… Parece que está tudo bem no Rio, a saúde então deve estar maravilhosa; segurança então nem se fala. Só assim se justifica um pedido tão absurdo, que não tem nada a ver com o momento de hoje, com a mudança do nome de um estádio. Ou então ele são muito espertos para aproveitar justamente isso tudo para tentar fazer um projeto que, no fundo, vai render dinheiro para eles. Quem pensa que eles estão querendo só homenagear o Pelé, está enganado. O (nome) Pelé traz dinheiro, traz placas de anunciantes e outras coisas mais. Recebi essa notícia de uma maneira absurda, mas não posso esperar nada de quem nunca soube quem é Mário Filho. É capaz de achar que Mário Filho é um sanduíche.”, declarou Mário Neto.

Foto: Arquivo pessoal

Conhecido por muitos como o maior jornalista esportivo de todos os tempos, Mário nasceu em Pernambuco, mas veio para o Rio de Janeiro ainda durante a infância, onde, mais tarde, seguiu a carreira jornalística ao lado do pai. Ele foi responsável por revolucionar a linguagem dos periódicos da época com uma linguagem menos rebuscada e elitista. A popularização do termo “Fla-Flu“, inclusive, é atribuída a ele; para muitos, a expressão foi criada por Mário Filho. Sempre muito forte nas suas opiniões, o profissional passou pelos jornais “A manhã“, “Crítica“, “Mundo Sportivo“, “O Globo“, além do famoso “Jornal dos Sports“.

Além de uma democratização do futebol àquela altura, Mário Filho organizou, em 1932, um concurso de escolas de samba, que acabou originando um costume anual de desfiles, até que as escolas ganhassem maiores proporções e se fixassem como parte da cultura do Rio de Janeiro. Em 1947, o jornalista criticou os Jogos da Primavera e os Jogos Infantis, em 1951. Além deles, foram criados também o Torneio de Peladas no Aterro do Flamengo e o Torneio Rio-São Paulo, que cresceu até se transformar em outra competição.

“O que eu recebi de solidariedade nesses dias, você não imagina. Gente do Japão, Espanha, Rio Grande do Sul, Fortaleza, do mundo todo, do Brasil. Pessoas que nunca imaginei e, se a pessoa está no Ceará, por quê iria se preocupar com isso? E eu recebi esse apoio. Então, eu não me menospreza, principalmente por ser de quem partiu. Se fosse um Carlos Heitor Cony, Waldir Amaral, Washington Rodrigues, Luis Penido, José Carlos Araújo, aí eu ficaria preocupado. Eles entendem e conheceram a obra do meu avô. Agora, gente que nunca viu, eu não considero menosprezo e sim burrice desses caras. Burrice e está bom. Não posso fazer nada”. – disse Mário Neto ao ser perguntado se sentia um menosprezo diante da possibilidade da retirada do nome de seu avô do Maracanã.

Ainda que pudesse tentar alguma atitude para preservar a homenagem prestada ao avô, Mário neto garantiu que a sua família não tem o interesse em brigar contra o projeto aprovado pela Alerj.

“Todo o processo está nas mãos da Associação Brasileira de Imprensa. A família não tem interesse. Esse estádio não representa o que foi meu avô. Então não vou me igualar a esses caras e ter uma briga judicial. Até porque a ABI está num processo que, desde que o Maracanã foi tombado, o nome do meu avô está na fachada. Se a ABI tiver que entrar na Justiça, vou dar todo apoio a eles”.

Enquanto o Brasil se preparava para receber a Copa do Mundo de 1950, Mário Filho defendeu a ideia da construção de um estádio para 200 mil pessoas, situado na localidade do antigo Derby Clube, onde eram disputadas corridas de cavalo. Na ocasião, o jornalista enfrentou até políticos influentes da época, como o vereador Carlos Lacerda, que defendia a construção de um estádio para 60 mil pessoas em Jacarepaguá. Outros, inclusive, ventilavam a possibilidade de uma grande ampliação de São Januário.

“Eu não posso, mas acho que o Estádio em Jacarepaguá não teria o público que o Maracanã tem hoje não. As pessoas me perguntam: ‘Ah, mas mesmo que mude o nome, o estádio vai continuar sendo conhecido de Maracanã’. Eu respondo: ‘Vai sim, mas lembra essas pessoas que o estádio se chama Maracanã por que meu avô quis que o estádio fosse ali, senão seria Jacarepaguã’. E isso continua sendo uma homenagem a ele, já que ele brigou pelo estádio onde eles está, perto dos trens, do metrô…”.

Foto: Divulgação/Marcelo Santos

Mário Neto também deixou parabenizou toda a imprensa, principalmente a esportiva, pelo apoio e pela solidariedade com ele, seus familiares e o nome do seu avô. Mário Filho morreu em 16 de setembro de 1966, no Rio de Janeiro, aos 58 anos de idade. Logo após sua morte, o Maracanã recebeu seu nome em homenagem.

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