Bienal do Livro

Martinho da Vila e Elza Soares relembram longa carreira e parceria artística

Cantores fecharam o sexto dia da XIX Bienal Internacional do Livro Rio

Por Marcelo Antonio Ferreira

No sexto dia da Bienal Internacional do Livro Rio, a noite terminou com o encontro de dois amigos de longa data, quando os músicos Martinho da Vila e Elza Soares subiram ao palco do Café Literário. A conversa entre os dois foi mediada pelo jornalista Zeca Camargo, responsável por escrever a biografia da cantora. Ambos falaram sobre música, a indústria e o fato de, até hoje, serem dois nomes ativos na arte. Com 82 anos de vida e mais de 60 de carreira, nesse ano, Elza lançou o álbum “Planeta Fome” que, apesar de ser repleto de músicas inéditas, foi feito a partir de um conceito antigo da cantora.

Ela comentou sobre o início da jornada, na Super Rádio Tupi – na época, apenas “Rádio Tupi” -, ao se apresentar no concurso de calouros de um programa apresentado Ary Barroso, em 1953.

“Não me lembro de nada, só que queria cantar. Precisava ganhar um dinheiro. Era um programa de rádio gravado em auditório. Ele me perguntou de qual planeta eu vim e eu respondi ‘planeta fome’. O meu era de muito fome mesmo”, relembrou a cantora, ao mencionar a juventude marcada pela pobreza.

Com o trabalho ouvido por gerações diferentes, quando foi questionada por Camargo sobre como é estar no cenário musical depois de tanto tempo, sempre com opiniões polêmicas, ela reiterou a importância do bom agenciamento.

“A garotada hoje está muito esperta, quer ouvir coisa boa e não bobagem. Sempre quis estar à frente do meu tempo. Minha boca está aqui e minha voz é para para dizer o que se cala. Não sei se está mais difícil ou mais fácil. Sempre trabalhei com empresários ruins. Hoje, tenho dois que me protegem mesmo, que me cuidam de verdade”, disse Elza.

Martinho relembrou a ocasião quando conheceu a amiga, que, na época, já era famosa. Para comemorar a presença dela, o músico dedicou à cantora uma edição da festa que realizava com colegas.

“Aos domingos, fazíamos um baile para o pessoal da comunidade. Volta e meia, convidávamos alguém de mais status. Um amigo em comum falou para convidar a Elza, eu falei que ela estava estourada, mas ele disse que ela iria. Combinamos de anunciar um baile especial, que teria a presença de Elza Soares, não para cantar, mas pelo acontecimento que ela era. Quando ela chegou, foi um reboliço. E ela até cantou”, relembrou o cantor.

Aos 81 anos de idade, além de gravar e compor até hoje, Martinho da Vila também é presente no cenário literário. Recentemente, ele lançou o livro “2018 – Crônicas de Um Ano Atípico”. Apesar das dificuldades do cenário cultural, ele destacou os progressos que facilitaram a produção das obras.

“Hoje em dia, acho que é mais fácil. O espaço é maior. No passado, para editar um livro era uma dificuldade. Os mais antigos que não eram ligados à classe dominante não publicavam. Hoje, todo mundo pode escrever e imprimir um livro em casa. Gravar também era difícil, mas, atualmente, se pode gravar um disco todo no iPhone, e todo mundo ouve”, disse Martinho.

Apesar dos empecilhos causados pela idade, ele contou que realizar shows ainda continua a ser um dos maiores prazeres que tem.

“O melhor lugar do mundo, para mim, é o palco. É um lugar mágico, porque, às vezes, está tudo sem graça. Aí, subimos no palco e tudo muda. Tem uma energia que rola da plateia para o palco, e a gente tem uma energia para devolver à plateia. É uma coisa recíproca”, concluiu Martinho.

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