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Morte de fisiculturista acenda alerta para uso de insulina e anabolizantes

Morte de fisiculturista liga sinal de alerta para o uso de substâncias voltadas ao ganho de massa muscular

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Créditos: depositphotos.com / catalin205

A morte do carioca Gabriel Ganley acendeu um alerta sobre o uso de insulina e anabolizantes para o ganho de massa muscular. O fisiculturista e influenciador digital foi encontrado morto em casa, na cidade de São Paulo, no último sábado, aos 22 anos.

Durante a perícia no apartamento, policiais apreenderam diversos medicamentos, possivelmente esteroides. A causa da morte de Gabriel Ganley foi uma morte súbita causada por uma doença cardíaca que afeta o miocárdio.

Foto: Reprodução

O nutricionista esportivo, Rogério Fernandes, explica a relação que essa doença pode ter com o uso de anabolizantes.

“As alterações no miocárdio ocorrem de maneira desordenada, fazendo com que o coração passe a trabalhar de forma sobrecarregada. Com isso, a arquitetura interna do órgão sofre mudanças significativas, assim como a própria estrutura cardíaca, com aumento do tecido colágeno e redução da capacidade de contração. Segundo especialistas, o uso dessas substâncias compromete de forma severa o funcionamento do coração”.

O endocrinologista, Wandyk Allison, comenta os casos de personal trainers que indicam o uso de anabolizantes para os clientes, e quais os riscos dessa utilização.

“Muitas pessoas seguem protocolos prontos, copiados da internet, sem qualquer individualização ou avaliação adequada. E isso ignora fatores essenciais, como histórico familiar, predisposição genética e doenças pré-existentes. Hoje, o que mais vejo são profissionais assumindo funções que não são da própria área: personal trainer agindo como médico ou nutricionista, nutricionista atuando como personal, e até médicos tentando exercer todas essas funções ao mesmo tempo. Eu, por exemplo, não prescrevo treino para ninguém, porque não tenho a formação nem a capacidade técnica de um personal trainer. Acho que, quando cada profissional respeita os limites da sua área de atuação, o resultado para o paciente tende a ser muito melhor”.

O nutricionista esportivo Lucas Moraro alerta que a insulina possui forte ação anabólica e realmente pode favorecer a entrada de nutrientes nas células musculares, mas o uso indevido representa riscos gravíssimos à saúde.

“A insulina é um hormônio com forte ação anabólica e pode aumentar a entrada de nutrientes, principalmente glicose, dentro das células musculares. Porém, o uso para ganho de massa muscular apresenta riscos graves como hipoglicemia severa, perda de consciência, convulsões, coma e até morte, principalmente quando utilizada sem controle médico adequado”.

Segundo o especialista, o problema tem se agravado com a disseminação de protocolos prontos nas redes sociais e orientações feitas por pessoas sem habilitação para prescrever substâncias hormonais.

“Infelizmente, ainda existem casos de pessoas sem qualificação adequada orientando o uso de hormônios e outras substâncias para fins estéticos. Muitas vezes isso acontece sem avaliação clínica, exames laboratoriais ou qualquer acompanhamento médico. Os riscos envolvem alterações hormonais, cardiovasculares, danos hepáticos, renais e psicológicos, além do risco de morte em protocolos irresponsáveis”.

Gabriel Ganley foi velado ontem em uma cerimônia restrita a amigos e familiares em São Paulo.

Venda de anabolizantes é restrita no Brasil

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a venda de anabolizantes é permitida somente em farmácias e drogarias regularizadas e mediante apresentação de receita especial.

Além disso, uma resolução do Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides e anabolizantes para fins de estética, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo.