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Motoristas profissionais do Rio de Janeiro recalculam ganhos após queda no preço do GNV

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O que ninguém te conta sobre o carro com GNV
Abastecendo com GNV - Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Para quem passa em torno de dez horas por dia enfrentando o trânsito do Rio de Janeiro, cada centavo economizado na bomba de combustível determina o que pode ser aquele alívio ou um sufoco no fim do mês. Com a entrada em vigor da redução de até 6,4% no preço do Gás Natural Veicular (GNV) no primeiro dia de junho, taxistas e motoristas de aplicativo de todo o estado recalculam suas planilhas de custos com um raro sentimento de otimismo.

A medida, viabilizada por um acordo estratégico entre o Governo do Estado, a Petrobras e a Naturgy, atinge em cheio a principal despesa operacional desses profissionais. Em uma rotina onde o combustível consome rotineiramente entre 40% e 50% do faturamento bruto das corridas, a queda nas tarifas chega como um balão de oxigênio para a categoria.

Uma ronda realizada em alguns postos da Capital revela que a diminuição de preço nas bombas já aconteceu, com reduções que variam entre R$ 0,10 e R$ 0,20 por metro cúbico. Na Zona Sul, um posto da Rua das Laranjeiras, o GNV saiu de R$ 4,64 para R$ 4,54. Já na Praça da Bandeira, o estabelecimento da Avenida Osvaldo Aranha, 11, registrou uma das maiores quedas, passando de R$ 4,79 para R$ 4,59. No Centro, a realidade é mista: enquanto os postos da Rua Riachuelo, 428, e da Rua Frei Caneca, 312, aplicaram o desconto de dez centavos (caindo para R$ 4,29 e R$ 4,39, respectivamente), o posto da Praça da Cruz Vermelha, 2, optou por manter temporariamente o valor de R$ 4,39, com previsão de repassar a redução até o fim desta semana.

No Posto Matosão, na Rua do Matoso, na Zona Norte da cidade, um dos pontos mais procurados pelos profissionais da direção e que também adotou redução de R$ 0,20 por metro cúbico desde a semana passada, o taxista Alexandre Setti Borioni sai cedo de Campo Grande, na Zona Oeste, para rodar mais pelo Centro. Ele, que sempre abastece no mesmo estabelecimento, destaca o impacto imediato da novidade no seu planejamento diário:

“Eu gasto em média R$ 100 de GNV por dia, pois abasteço duas vezes. Fora o gasto que temos com o combustível líquido, que de vez em quando a gente precisa usar. Estimo economizar uns 10% dentro do meu orçamento, porque o gás natural é mesmo a nossa maior despesa. Ou seja, como não rodo todos os 30 dias do mês, rodo uns 24 ou 25 dias, se der para economizar entre R$ 300 e R$ 500 estará ótimo. A gente sai de casa sempre com uma meta para cumprir. Essa redução acaba facilitando e flexibiliza o nosso trabalho.”, disse o profissional.

Impacto no orçamento familiar

O Rio de Janeiro concentra a maior frota de veículos movidos a GNV do país, um mercado consolidado não apenas pela ampla rede de distribuição, mas também por incentivos estaduais permanentes, como o desconto de até 75% no IPVA para carros convertidos. No entanto, a recente perda de competitividade do gás frente à gasolina vinha assustando os motoristas, cenário que a atual gestão do Palácio Guanabara reverteu com a mesa de negociações em maio.

Para os profissionais das plataformas digitais, a redução no preço do metro cúbico do gás representa uma margem de lucro real que não se via há meses.

O motorista de aplicativo Rodolfo Ribeiro de Azevedo anota atentamente em um caderninho as informações do abastecimento. O clima entre os condutores liberais também é de alívio. Sem autonomia para reajustar o valor das corridas determinadas pelas plataformas digitais, esses profissionais dependem diretamente da estabilidade dos custos dos insumos para manter a atividade viável e garantir o lucro do dia.

“Eu moro na Tijuca e rodo bastante, acho que uma média de quase 200 km todos os dias. Vai fazer uma boa diferença no fim do mês. Essa redução representa um corte significativo nos gastos, porque abasteço duas vezes por dia. Para quem roda muito, cada centavo conta. É uma economia que dá para, às vezes, almoçar melhor com a família no final de semana.”, diz.