Sentinelas da Tupi

Nos trens, passagens podem aumentar mesmo com oito investigações em curso pela agência reguladora

Agetransp autorizou reajuste da passagem em 25% mesmo com uma série de investigações em curso sobre a operação dos trens da Supervia

Por Pedro Henrique Leite

A Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro) abriu, só nos últimos dois meses, oito investigações por conta de avarias nos ramais da Supervia. De acordo com a agência, essas ocorrências são os casos que geram impactos maiores na operação – não apenas uma simples pane nas portas e que podem ser corrigidas pelos técnicos da concessionária durante a própria viagem. Dos oito casos analisados, 3 foram no ramal Santa Cruz, 2 no ramal Guapimirim, 2 no ramal Belford Roxo e 1 no ramal Japeri.

A agência reguladora informou ainda que as concessionárias são avaliadas por indicadores mensais de qualidade, com metas para serem alcançadas. Apesar disso, as diligências estão apenas no início. As penalidades vão de advertência à multa e “depende da escala de responsabilidade das concessionárias”.

Mesmo com os problemas enfrentados pela população – como superlotação, goteiras, atrasos, insegurança, entre outros – no fim de 2020, a Agetransp aprovou o aumento das passagens dos trens urbanos e do sistema de Barcas do Rio de Janeiro. No sistema ferroviário, a tarifa passaria de R$ 4,70 para R$ 5,90, um reajuste de 25%. O aumento entra em vigor no 2 de fevereiro de 2021.

A Agência reguladora, no entanto, reconheceu que o aumento foi elevado e recomendou ao Governo do Estado que analise soluções para minimizar os impactos aos usuários, como a criação de tarifa social ou até mesmo de algum subsídio.

Enquanto isso… um trem de problemas

Doralice de Souza, de 65 anos, empregada doméstica, acorda às 4h para sair de Santa Cruz, onde mora, com destino à Zona Sul da cidade. A trabalhadora reclama do barulho e da superlotação:

“A gente sofre muito. A gente não consegue nem tirar um cochilo no trem. Primeiro que é completamente lotado. E segundo que parece uma feira. É muito desorganizado”, desabafa.

João Carlos Neves, de 54 anos, morador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, fala sobre a insegurança:

“Tem muita coisa pra melhorar, mas o pior é a violência. Tem assalto direto dentro das estações. Poderiam organizar melhor com a polícia, colocar mais fiscais. E é tudo escuro, tudo vazio, principalmente nos buracos [estações subterrâneas]. Esse aumento da passagem é absurdo. Nosso salário não aumenta 25%, né?!”, questiona.

Vanice Lima, de 30 anos, reclama do estado de conservação das composições:

“Tudo bem que a população tem a sua parte de culpa, né, porquê é muito vandalismo. Mas aí tem trem que é frio demais, no outro calor demais. Tem uns com goteira, outros imundos. Eu moro em Gramacho e preciso usar o transporte pra fugir do engarrafamento, mas é duro a vida de quem precisa usar o transporte. Ele é muito importante, mas o serviço poderia ser muito melhor”, fala a recepcionista.

Nota da SuperVia:

“A SuperVia conta com uma frota de 201 trens. No entanto, cerca de 30 trens foram retirados de circulação desde novembro de 2020 em adequação à nova grade operacional baseada na queda da demanda de clientes, reduzida entre 40% e 50% em relação ao que era observado antes da pandemia do novo coronavírus.

Os problemas de infiltração ocorrem, em sua maioria, em trens mais antigos, composições que foram retiradas de circulação. Além disso, em setembro do ano passado, a SuperVia concluiu uma revisão geral no sistema de ar-condicionado das composições que apresentavam ocorrência de infiltração com mais frequência.

Importante lembrar todos os trens passam por vistorias técnicas diárias antes do início da operação para que circulem adequadamente. Em alguns casos, é possível que precisem passar por manutenção emergencial no trecho, especialmente em dias de chuva. Tão logo a SuperVia identifique o trem com problema, ele é retirado de circulação e enviado à oficina para os reparos necessários.

A SuperVia respeita o papel fiscalizador da Agetransp e está sempre à disposição para contribuir com as informações necessárias às apurações do órgão.

A SuperVia esclarece que a taxa de ocupação das composições está mantida abaixo de 60%, limite máximo estipulado pelo Estado e fiscalizado pela Agetransp. A empresa continua cumprindo integralmente todos os decretos estaduais e a legislação vigente.

Como medidas de proteção e conscientização dos passageiros, a concessionária instalou sinalização indicativa de distanciamento entre os clientes no chão – próximo às bilheterias, nas plataformas e acessos dos banheiros, e orienta que os clientes não embarquem nos trens mais cheios e aguardem a próxima composição. A empresa também adotou novo procedimento para embarque nos elevadores, limitando o uso a somente uma pessoa (e um acompanhante, se necessário); passou a vender passagens apenas aos clientes que estejam utilizando máscaras no momento da compra nas bilheterias; contratou equipes extras de limpeza, que realizam a desinfecção dos trens quando chegam às estações terminais, durante todo o dia, em todos os ramais; e adotou higienização especial nas catracas e validadores das estações com maior movimentação de clientes. Paralelamente, a concessionária realiza campanhas de conscientização aos passageiros sobre os cuidados necessários para evitar a contaminação e propagação do coronavírus.

O Centro de Controle Operacional (CCO) da SuperVia acompanha diretamente a movimentação dos trens para que a circulação mantenha sempre o maior nível de regularidade e pontualidade. Alguns fatores podem interferir na circulação, como a presença de veículos e pedestres que acessam a linha férrea por passagens clandestinas; interrupção temporária da circulação, por medida de segurança, em casos de tiroteios próximos à via férrea; passageiros que impedem o fechamento de portas antes das partidas dos trens; vandalismos contra as composições; necessidade de manutenções emergenciais em trens por técnicos distribuídos em estações estratégicas; entre outros fatores.”

 

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