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Operação da PF mira delegado e policiais do Rio suspeitos de cobrar dinheiro do CV

STF determina afastamento de policiais civis do Rio alvos de investigação por extorsão

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Operação Anomalia Foto: Reprodução/Polícia Federal

Quatro mandados de prisão foram cumpridos nesta terça-feira (10) pela Polícia Federal no Rio de Janeiro durante a Operação Anomalia II. Entre os alvos estão um delegado, dois agentes da Polícia Civil e um traficante. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de extorquir dinheiro de integrantes do Comando Vermelho dentro da própria delegacia, além de envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A ação faz parte de uma série de operações realizadas nas últimas 24 horas no estado. Com isso, pelo menos 24 policiais foram presos no Rio de Janeiro, entre agentes civis, militares, penais e delegados federais investigados por diferentes crimes.

Delegacia usada para pressionar traficantes

Segundo a PF, o esquema era comandado pelo próprio titular da delegacia e por outro policial civil. A operação funcionava com a emissão sistemática de intimações usadas para coagir líderes do tráfico, exigindo o pagamento de propinas “significativas” em troca de omissão no cumprimento das funções oficiais. Prazos eram impostos e cobranças eram feitas de forma insistente. Para manter distância dos chefes do CV, o grupo recorria a dois intermediários que operacionalizavam o recebimento dos valores.

Operação Anomalia Foto: Reprodução/Polícia Federal

A inteligência financeira da PF identificou movimentação patrimonial milionária nos investigados, incompatível com os salários recebidos. O dinheiro era ocultado por meio de uma rede de empresas de fachada abertas em nome de parentes, agora com as atividades suspensas por ordem judicial.

Na residência de um dos policiais, localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, agentes federais apreenderam dinheiro em espécie. O STF também determinou o afastamento imediato de todos os investigados de suas funções públicas e o bloqueio de valores em contas bancárias e em criptoativos vinculados ao grupo.

Delegado da PF e segurança de bicheiro

A Operação Anomalia II integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635 para reforçar a atuação da Polícia Federal no combate a organizações criminosas no Rio de Janeiro, com foco na relação entre facções e agentes públicos.

Na primeira fase da operação, realizada na segunda-feira, a Polícia Federal prendeu um delegado suspeito de negociar vantagens indevidas em favor de um traficante internacional procurado pela Interpol. Segundo as investigações, ele teria recebido cerca de R$ 150 mil para intervir em um processo de refúgio. O caso veio à tona após análise do celular de um advogado investigado, apreendido em 2025.

Operação Anomalia Foto: Lohrrany Alvim

Outro desdobramento envolve investigação do Ministério Público do Rio, que denunciou 19 policiais por participação em um esquema de segurança armada ligado ao contraventor Rogério de Andrade, na região de Bangu. Ao todo, foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva, incluindo o do próprio bicheiro. Os investigados são acusados de integrar organização criminosa e de garantir o funcionamento de pontos ilegais de jogo.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que não compactua com desvios de conduta ou atividades ilícitas e informou que abriu processos administrativos disciplinares para apurar a atuação dos servidores citados nas investigações.