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Para que serve a parte azul e vermelha da borracha e quando usar cada lado
A borracha de duas cores esconde um detalhe curioso
Quem passou pela escola nas últimas décadas certamente teve no estojo a borracha de duas cores, metade vermelha e metade azul. E quase todo mundo cresceu ouvindo que o lado azul servia para apagar caneta. A fabricante da borracha mais famosa do país, porém, explica que a história não é bem assim. Veja para que serve de verdade a parte azul e por que tanta gente usou do jeito errado a vida inteira.
Para que serve a parte azul da borracha escolar?
Segundo a Mercur, fabricante gaúcha da Borracha Prima, o lado azul é indicado para remover marcas de tinta de caneta e de lápis de cor. A palavra certa, no entanto, é remover, e não apagar. Essa parte tem cristais pontiagudos de pedra-pomes e uma carga abrasiva maior, que desgasta a superfície da folha, como uma lixa, até tirar a tinta parcial ou totalmente.
Ou seja, a borracha não faz a tinta desaparecer: ela raspa a camada do papel em que a tinta está. Já o lado vermelho, mais macio, é o indicado para o grafite. Veja a diferença:
| Lado da borracha | Indicado para | Como age |
|---|---|---|
| Vermelho | Escrita a lápis e lapiseira | Retira o grafite sem desgastar o papel. |
| Azul | Tinta de caneta e lápis de cor | Raspa a superfície da folha até remover a marca. |

Como surgiu a borracha de duas cores no Brasil?
A Borracha Prima foi criada por volta de 1938 por Jorge Hoelzel, fundador da Mercur, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. A ideia surgiu depois que ele voltou de uma viagem à Alemanha com um mostruário de borrachas.
Na época, a escrita com caneta-tinteiro era comum, e havia busca por uma forma de corrigir erros feitos com tinta. Daí veio a proposta de uma borracha com duas funções, uma para o lápis e outra para a tinta. Com o tempo e a chegada da caneta esferográfica, o lado azul ganhou fama de apagar qualquer caneta, o que deu origem ao mito.
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Por que a parte azul rasga a folha do caderno?
A tinta da caneta esferográfica penetra nas fibras do papel, enquanto o grafite do lápis fica mais na superfície. Para tirar a tinta, a borracha precisa raspar parte da própria folha, e o papel fino do caderno não resiste a esse desgaste.
Por isso, ao insistir com o lado azul em folhas comuns, o resultado costuma ser frustrante:
- A folha fica áspera e com aspecto de lixada
- A marca da caneta fica mais clara, mas não some
- O papel afina e pode rasgar
- A região raspada passa a borrar quando se escreve por cima

Como usar cada lado da borracha do jeito certo?
O segredo está em combinar o lado da borracha com o tipo de papel e de traço. O lado vermelho resolve a maior parte das correções do dia a dia, e o azul deve ficar para situações específicas, sempre com cuidado.
Algumas dicas ajudam a aproveitar melhor a borracha:
- Usar o lado vermelho para lápis e lapiseira em papel comum
- Reservar o lado azul para papéis mais grossos, como cartolina e papel de desenho
- Fazer movimentos leves e curtos com o lado azul, sem pressionar
- Testar antes em um canto do papel
- Evitar o lado azul em cadernos, livros e documentos
A parte azul da borracha ainda tem utilidade hoje?
Tem, desde que usada no lugar certo. Para quem trabalha com papel de desenho, cartolina ou folhas de maior gramatura, o lado azul ainda é útil para remover traços de lápis de cor, grafite muito marcado e pequenas manchas de tinta. Nesses papéis mais espessos, a raspagem não chega a comprometer a folha.
Para corrigir caneta em cadernos e documentos, a alternativa mais eficiente continua sendo o corretivo. A própria Mercur lançou uma fita corretiva com o visual vermelho e azul da Borracha Prima, em homenagem ao produto que marcou gerações de estudantes e que, mais de oito décadas depois, ainda desperta curiosidade.
Mistério de infância resolvido. Agora você sabe por que a parte azul nunca apagou a caneta do caderno. Compartilhe esta curiosidade com quem também passou a escola inteira tentando.