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Pastor é investigado em Niterói por convencer fiéis a investir em falso banco que prometia 10% ao mês

Organização criminosa movimentava milhões usando contas de passagem; esquema prometia lucros irreais a fiéis

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Foto: Divulgação/PCERJ

Um pastor evangélico é suspeito de usar sua posição religiosa para atrair fiéis e convencê-los a investir em um falso banco digital que prometia rendimentos de até 10% ao mês. O esquema teria causado prejuízo superior a R$ 1,11 milhão e pode envolver uma movimentação financeira muito maior.

Roberto Vieira Soares, líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração, localizada em Niterói, usava a confiança dos fiéis para captar recursos para o chamado Banco do Pastor. Após as primeiras captações, os pagamentos prometidos foram interrompidos sem devolução dos valores investidos. A polícia identificou ao menos sete boletins de ocorrência relacionados ao esquema.

Família e empresas de fachada no esquema

A organização criminosa ia além de um único responsável. A esposa e o filho de Soares figuravam como sócios em empresas dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos, usadas para movimentar e ocultar o dinheiro captado das vítimas, inclusive com saques de grandes quantias em espécie.

A empresa responsável pelo suposto banco digital declarou capital social de R$ 5 milhões, valor incompatível com a situação financeira real de seus sócios registrados, o que indica o possível uso de laranjas para esconder os verdadeiros beneficiários do negócio.

Conta bancária registrou R$ 5,4 mi em movimentações

Entre as descobertas mais relevantes da investigação está uma conta vinculada a uma instituição de pagamentos que funcionou como “conta de passagem” do esquema. Somente nela, foram registradas mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos, valor muito acima do prejuízo relatado pelas vítimas.

Para desarticular a organização, a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) deflagrou nesta terça-feira (18 de agosto) a Operação Golpe de Fé. Com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada, equipes cumpriram mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e em São Paulo. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e tentar recuperar os ativos das vítimas.