Bienal do Livro

Projata e Lellê marcam presença na Bienal do Livro Rio

A dificulde do cenário musical e o empoderamento de mulheres negras foram alguns dos tópicos abordados

Por Marcelo Antonio Ferreira

O rapper Projota e a cantora e atriz Lellê foram dois dos nomes que, neste domingo, compareceram à XIX Bienal Internacional do Livro Rio para conversarem com o público da #Arena Sem Filtro. Às 15h, o músico participou de uma roda, cujo tema era o papel da poesia nos dia de hoje.

Hoje com 33 anos, Projota relembrou o começo da carreira, quando achou na escrita uma forma de se expressar. O rapper explicou que a voz nunca foi o principal na carreira.

“A minha parada sempre foi escrever. Quando eu comecei, fui no rock. Então, tinha que procurar um vocalista para cantar por mim, porque eu não conseguia cantar. Daí, quando conheci o rap, com 15 anos, foi a faca e o queijo. Eu mesmo pude falar as ideias que escrevi. Óbvio que, com o tempo, eu estudei, me desenvolvi um pouco e posso até enganar em umas melodias. Mas quando preciso de um refrão mais elaborado, chamo a Negra Li, a Anavitória, a Anitta”, disse ele.

Ele também falou sobre a dificuldade que os músicos atualmente têm em conceituar uma obra completa, pois, atualmente, os singles (músicas para divulgação) alcançam mais popularidade.

“Um artista da música não consegue lançar um álbum mais, porque, hoje em dia, ninguém mais ouve um álbum inteiro. Eu, que vivo de músico, também não ouço. Invisto no single. Isso que também acontece com a poesia. De certo modo, isso me desafia, penso: ‘como vou fazer as pessoas ouvirem ou falarem sobre a minha depressão’. É mais fácil elas ouvirem dos amores da minha vida. É um desafio. E eu não sou conservador ou saudosista, meu bagulho aconteceu pela internet.

Às 17h, Lellê chegou ao espaço e participou de um bate-papo sobre o papel da escrita como artifício de empoderamento. Conhecida pelo visuais extravagantes, a cantora, de 21 anos, falou que a autenticidade dela foi algo cultivado pela família.

“Esse lugar da estética é curioso, porque eu não tinha isso como agora, mas sempre tive vontade de estar ao avesso de tudo que está acontecendo. Fui criada pelas minhas avós e minha mãe, e a paterna me criou de uma forma muito corajosa e ousada, ela sempre soube que sou um espírito livre”, contou a artista.

Ela ainda conversou sobre como o visual foi e é, até hoje, uma maneira que tem de se empoderar.

“Conforme fui correndo atrás das minhas metas artísticas e pessoais, fui entendendo esse lugar da estética e como isso me influenciava. Eu gosto sempre de mudar e me renovar. E isso faz parte do empoderamento que eu sabia que tinha. Como mulher negra, vi como era importante eu estar me renovando”, disse Lellê.

 

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